Confiança do transportador recua em 2025, mas setor mantém planos de investimento para 2026

O Índice CNT de Confiança ficou abaixo de 50% em todos os estados. Entenda os fatores por trás do pessimismo e por que o setor segue investindo.
O Índice CNT de Confiança ficou abaixo de 50% em todos os estados.

O Índice de Confiança do Transportador, pesquisa conduzida pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) em parceria com federações regionais do setor, voltou a registrar resultados abaixo dos 50 pontos em todos os estados pesquisados. Na prática, isso significa que os empresários do transporte rodoviário de cargas estão operando em zona de pessimismo moderado, mas com uma ressalva importante: a confiança nas próprias empresas segue firme.

A pesquisa, que avalia a percepção dos transportadores sobre o cenário de negócios, infraestrutura e economia, trouxe os seguintes resultados por estado:

  • Santa Catarina: 38,7% — participação inédita na sondagem, já estreando com o menor índice entre os estados pesquisados.
  • São Paulo: 45,3% — o índice mais baixo que o estado já registrou desde que a sondagem começou, em 2023.
  • Rio Grande do Sul: 46,7% — em recuperação frente aos 41,4% do levantamento anterior.
  • Rio de Janeiro: 47,2% — onde o roubo de cargas e a insegurança jurídica pesam diretamente sobre a percepção dos empresários.

Os números confirmam o que muitos gestores de frota já sentem na operação. Os principais fatores apontados pelos empresários como responsáveis pela queda de confiança são os custos operacionais em alta (com destaque para o encarecimento do crédito pela taxa Selic elevada e o aumento da carga tributária), a infraestrutura rodoviária deficiente, a insegurança nas estradas (roubo de cargas segue como preocupação central, especialmente no eixo Rio-São Paulo) e a escassez de motoristas qualificados, um problema estrutural que o próprio setor já trata como “normal”, apesar de crônico.

Nenhum desses fatores é novidade isolada. O que o índice revela é o efeito acumulado: quando os custos sobem, o crédito encarece, as estradas não melhoram e a mão de obra qualificada se torna mais difícil de encontrar, a confiança do empresário no ambiente externo naturalmente recua.

Mas os dados da pesquisa também revelam um contraponto relevante como novidade. Apesar do pessimismo com o cenário macroeconômico, a expectativa dos transportadores para os próximos seis meses é positiva. E esse otimismo não vem de uma aposta na melhora do país, mas sim da confiança que os gestores depositam nas próprias operações.

O setor está respondendo ao ambiente adverso com gestão mais enxuta, diversificação de carteira de clientes e investimento em eficiência operacional. A adoção de tecnologia para extrair mais produtividade de cada quilômetro rodado aparece como uma das estratégias mais citadas. Mesmo com 76% dos transportadores indicando resultados mais apertados em 2025, a intenção de investir e crescer em 2026 se mantém, sendo um sinal de resiliência que define o perfil do segmento.

Esse movimento reflete uma mudança de postura e indica até um cansaço com a precariedade das estradas no país: quando o ambiente externo não colabora, o caminho é otimizar o que está dentro de casa. Controle de custos, visibilidade sobre a operação, manutenção preventiva e gestão baseada em dados são as condições de sobrevivência.

Para 2026, a CNT também sinaliza uma agenda estratégica voltada a temas que devem impactar o transporte rodoviário nos próximos anos. Entre os focos estão a inovação e sustentabilidade (com atenção a combustíveis sintéticos, economia circular e os compromissos de descarbonização da COP31), a articulação política em torno da Reforma Tributária e de marcos regulatórios (especialmente relevante por ser um ano eleitoral) e a produção de estudos técnicos sobre o déficit de motoristas e a atualização do Plano CNT de Transporte e Logística.

Para quem opera no transporte rodoviário de cargas, acompanhar esses movimentos é fundamental para antecipar cenários. A Reforma Tributária, por exemplo, altera a estrutura de custos das transportadoras e quem entender os impactos e mudanças necessárias antes de iniciar a valer de verdade terá mais tempo para se preparar.

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Autor

Jonatan Fernandes

Há 18 anos atuando no segmento de transportes, já passou por grandes nomes do mercado. Em sua carreira, já esteve como Coordenador de Frota, além de ter passado pelas áreas de transporte, logística e cadeia de suprimentos. Hoje, compartilha conhecimento e marca presença como Coordenador de Field Sales aqui na Prolog.

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