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Como as novas regras da CNH em 2026 impactam as operações de transporte rodoviário de cargas

Thiago Concado Thiago Concado 4 min de leitura
Como as novas regras da CNH em 2026 impactam as operações de transporte rodoviário de cargas

As regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação mudaram. E para quem gerencia frotas no transporte rodoviário de cargas, as mudanças impactam diretamente a dinâmica de contratação, treinamento e segurança operacional.

A Resolução 1.020/25 do Contran, que entrou em vigor no final de 2025 com efeitos plenos em 2026, reformula o processo de formação de condutores no Brasil. A mudança central é o fim da obrigatoriedade de frequentar uma autoescola para obter ou mudar de categoria, incluindo as categorias profissionais C, D e E, que são as que habilitam a condução de caminhões. Na prática, o candidato agora pode se preparar de forma independente, tanto para a prova teórica quanto para a prática.

A formação teórica passou a ser oferecida em formato digital, acessível inclusive por aplicativo. Já a carga horária mínima de aulas práticas caiu para 2 horas em um corte de 90% (antes eram 20h). Além disso, o exame de baliza deixou de ser obrigatório em diversos estados, como São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo, Amazonas e Mato Grosso do Sul. Quem for reprovado na prova prática tem ainda a primeira tentativa de reteste sem cobrança de taxa adicional.

O objetivo declarado dessas mudanças é reduzir o custo da habilitação e diminuir as barreiras de entrada para novos condutores. E, de fato, o impacto financeiro deve ser relevante. Com a queda das taxas dos Cursos Formadores de Condutores (CFC) e a abertura para instrutores particulares, o custo total para tirar ou mudar de categoria cai. Para o setor de transporte, que convive há anos com um alto déficit de motoristas profissionais, a medida pode acelerar a entrada de novos condutores no mercado.

Mas é justamente aí que o cenário se complica para o gestor de frota. Se o processo ficou mais rápido e mais barato, mais pessoas devem se habilitar nas categorias C, D e E. Isso amplia a oferta de mão de obra, o que é positivo. Porém, a formação prática que esses motoristas trazem na bagagem será, em muitos casos, menor do que a de quem passou pelo modelo anterior. Duas horas de prática obrigatória não preparam um condutor para manobrar um veículo articulado, encostar em uma doca de carga ou operar em rodovias de serra com carregamento pesado.

A responsabilidade pela capacitação prática se desloca agora para as próprias transportadoras. O motorista pode chegar habilitado conforme a lei, mas sem a experiência que a operação exige. Cabe ao gestor e empresa criar mecanismos para avaliar essa lacuna e preenchê-la antes que o profissional assuma a direção de um ativo que vale centenas de milhares de reais e carrega uma carga que pode valer muito mais.

Nem tudo é flexibilização, porém. Algumas exigências foram mantidas ou até reforçadas. O exame toxicológico, por exemplo, passou a ser obrigatório já na emissão da primeira CNH, independentemente da categoria. Antes, ele era exigido apenas para categorias profissionais e na renovação. Para as categorias C, D e E, ele segue obrigatório tanto na obtenção quanto na renovação. Os exames médico e psicológico continuam presenciais e obrigatórios. E a idade mínima de 21 anos para as categorias profissionais permanece.

Outra mudança relevante para a gestão de frotas é a renovação automática da CNH para condutores que não tenham registrado infrações nos últimos 12 meses. Para esse perfil de “bom condutor”, o processo de renovação se torna ainda mais simples e sem custo. Isso simplifica a gestão documental da frota, mas exige que o gestor acompanhe de perto a situação de cada motorista e especialmente a pontuação, já que profissionais com EAR (Exerce Atividade Remunerada) têm limite de 40 pontos antes da suspensão.

O cenário que se desenha para 2026 é de uma habilitação mais acessível, mais rápida e mais barata, mas que, por si só, não garante a qualificação técnica que o transporte rodoviário de cargas exige. Agora, adaptar os processos de contratação, investir em treinamento prático e manter controle rigoroso da documentação e do comportamento dos motoristas é a condição para operar com segurança dentro do novo modelo.

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Perguntas frequentes

Estou contratando motoristas habilitados há pouco tempo e sinto que falta prática. Isso tem a ver com a mudança na CNH?

Tem. A Resolução 1.020/25 reduziu de 20 horas para 2 o mínimo obrigatório de aulas práticas, um corte de 90%, e dispensou a baliza do exame em estados como Santa Catarina, São Paulo, Amazonas, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul. Ou seja: o profissional pode chegar com a habilitação em dia perante a lei e, ainda assim, sem a vivência que a rotina cobra — duas horas de prática obrigatória não preparam alguém para manobrar um veículo articulado ou encostar numa doca.

O que continuou obrigatório para tirar CNH nas categorias C, D e E?

Nem tudo foi flexibilizado. O exame toxicológico virou exigência logo na emissão da primeira CNH, seja qual for a categoria; antes só era cobrado das categorias profissionais e nas renovações. Nas categorias C, D e E, ele permanece exigido nos dois momentos — quando se tira e quando se renova. Também continuam presenciais e obrigatórias as avaliações médica e psicológica, e segue valendo o piso de 21 anos de idade para as categorias profissionais.

Qual a diferença entre o modelo antigo de habilitação e o que vale agora?

Antes, era obrigatório frequentar autoescola para obter ou mudar de categoria; hoje o candidato pode se preparar por conta própria, tanto na prova teórica quanto na prática. A formação teórica migrou para o formato digital, acessível inclusive por aplicativo. O mínimo de aulas práticas saiu de 20 horas para 2, um corte de 90%. E quem for reprovado na prática ganha uma primeira tentativa de reteste sem taxa adicional.

Como essa mudança afeta o custo da habilitação e a oferta de motoristas no mercado?

O propósito anunciado é baratear a habilitação e derrubar barreiras de entrada para quem quer começar a dirigir profissionalmente. Duas frentes reduzem o custo total de tirar ou mudar de categoria: taxas menores nos Cursos Formadores de Condutores e a liberação de instrutores particulares. Some-se a isso o alto déficit de motoristas profissionais que o transporte carrega há anos — nesse cenário, a medida pode apressar a chegada de gente nova ao mercado.

A renovação automática da CNH muda alguma coisa na gestão documental da frota?

Muda para melhor, mas cria uma exigência de acompanhamento. Quem passou os últimos 12 meses sem infração registrada ganha renovação automática e sem custo, o que simplifica a gestão documental. Em contrapartida, cabe ao gestor acompanhar caso a caso a situação de cada motorista, com atenção redobrada à pontuação: quem tem EAR, por exercer atividade remunerada, fica sujeito ao teto de 40 pontos antes da suspensão.

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