Última atualização: junho de 2026.
O mercado de pneus de carga no Brasil vive um momento de indefinição que afeta diretamente quem gerencia frotas. De um lado, a forte concorrência dos pneus importados asiáticos — que já respondem por 70% das vendas de pneus de carga no país — mantém os preços médios relativamente estáveis. De outro, a pressão da indústria nacional por aumento do imposto de importação pode mudar esse cenário nos próximos meses.
Para quem gerencia uma frota de transporte rodoviário de cargas, entender o que está acontecendo é importante para antecipar custos e ajustar o planejamento de compra e reposição de pneus.
O cenário atual do mercado de pneus de carga
Os pneus de carga importados consolidaram uma posição dominante no mercado brasileiro. Para 2026, a estimativa é de 56,3 milhões de pneus vendidos no Brasil, dos quais 38,63 milhões no mercado de reposição — o segmento que mais interessa a quem gerencia frota.
Segundo dados da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), referentes ao primeiro trimestre de 2026, os importados já representam 70% das vendas de pneus de carga no Brasil.
Na visão geral do mercado (incluindo passeio), os fabricantes nacionais responderam por apenas 31% das vendas totais no primeiro quadrimestre de 2026, o menor índice já registrado pela entidade.
Essa mudança foi impulsionada pela entrada massiva de produtos asiáticos, principalmente da China, que responde por mais de 70% dos pneus importados e pratica preços até 40% inferiores aos de outros mercados. Nos dois primeiros meses de 2026, o volume de pneus importados cresceu 38,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Atualmente, pneus novos de carga de primeira linha (aro 22.5) variam entre R$1.850 e R$3.100, enquanto as opções asiáticas de entrada oferecem alternativas mais acessíveis para manter a frota rodando, variando entre R$1.434 a R$2.000 na mesmo medida de aro.
As vendas gerais do setor caíram 7,9% no primeiro trimestre de 2026, com retração tanto na reposição (-7,5%) quanto no equipamento original (-9,1%), refletindo um momento de ajuste no mercado.
O que pode mudar para o segundo semestre: imposto de importação em discussão
O fator que pode alterar o cenário de preços no segundo semestre é a possível elevação do imposto de importação sobre pneus.
Para entender o contexto:
- Em setembro de 2024, a Camex elevou a alíquota de importação de pneus de passeio de 16% para 25%. Os pneus de carga, no entanto, foram excluídos dessa elevação e permanecem com alíquota de 16%.
- Em setembro de 2025, a ANIP solicitou novo aumento — de 25% para 35% — para pneus de passeio, mas o governo decidiu manter a alíquota em 25% por mais 12 meses.
- Agora, em 2026, o setor voltou a pressionar. A ANIP protocolou no MDIC novo pedido de elevação e coordena um manifesto com mais de 40 entidades da cadeia produtiva (borracha, aço, químicos, têxteis) pedindo medidas urgentes.
A proposta de elevação para 35% está em análise no Comitê de Alterações Tarifárias (CAT) da Camex.
Se aprovada, o impacto nos preços seria significativo: segundo estudo da Guimarães Consultoria realizado em 2024 a pedido da ABIDIP, uma elevação de 16% para 35% nos pneus de carga poderia gerar um aumento de até 25% no preço final para caminhões e ônibus. As condições de mercado mudaram desde então, mas a projeção segue sendo a referência mais citada no setor.
Até o momento, não há data definida para essa decisão. Mas o cenário indica que alguma movimentação deve ocorrer ainda em 2026, dado o nível de pressão da indústria e o avanço das importações.
O que isso significa pra quem gerencia frota
Independentemente de qual caminho o governo tome, o gestor de frotas pode se preparar para absorver melhor qualquer variação de preço. Algumas frentes de ação:
Foco no CPK, não no preço unitário.
O pneu mais barato na nota fiscal nem sempre é o mais econômico por quilômetro rodado.
Acompanhar o CPK por marca, modelo e perfil de rota é o que permite fazer uma comparação real entre opções nacionais e importadas, tomando decisões de compra baseadas em desempenho, não em preço de etiqueta.
Maximizar a recapagem.
Em um cenário de possível aumento de preços, cada carcaça aproveitada é uma compra evitada. A recapagem custa entre 30% e 40% do valor de um pneu novo e entrega entre 80% e 90% da quilometragem.
No mercado de reposição, cerca de 20% das unidades comercializadas já são pneus reformados, com participação ainda maior no segmento de veículos pesados e implementos.
Garantir que a operação envie as carcaças no momento certo — antes que o desgaste comprometa a estrutura — é uma das formas mais diretas de reduzir o impacto de qualquer variação de preço.
Manutenção como proteção de ativo.
Pneu é um ativo que deprecia conforme o uso. Calibragem correta, alinhamento em dia e rodízio programado estendem a vida útil e reduzem o volume de reposição. Quando os preços sobem, cada pneu que dura mais é economia direta.
Planejamento de estoque e compras.
Se a sua operação consome um volume previsível de pneus por trimestre, faz sentido planejar o orçamento e as compras de pneus com antecedência. Em momentos de indefinição tarifária, antecipar compras de itens com previsão de uso nos próximos meses pode ser uma decisão financeiramente inteligente.
Acompanhar a decisão da Camex.
O resultado da análise do CAT sobre a elevação da alíquota para pneus de carga terá impacto direto no custo de reposição. Ficar atento às definições e ajustar o planejamento conforme o cenário evolui é parte da gestão.
O cenário é de atenção, não de alarme. Os preços podem subir, mas o quanto e quando ainda depende de decisões que estão em andamento. O que o gestor pode fazer agora é garantir que a operação esteja tirando o máximo dos pneus que já tem e isso passa pela boa gestão de pneus.
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