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Atacado distribuidor: R$ 616 bi e a pressão na frota

Jean Zart Jean Zart 3 min de leitura
Atacado distribuidor: R$ 616 bi e a pressão na frota

O atacado distribuidor brasileiro fechou 2025 com faturamento de R$ 616,6 bilhões, segundo a ABAD. O crescimento nominal foi de 17,27% e o avanço real, descontada a inflação medida pelo IPCA, ficou em 11%. Com isso, o setor elevou sua participação no mercado mercearil (focado em bens de consumo básico) de 53,7% em 2024 para 56% em 2025.

Os números são expressivos, mas o que chama atenção para quem trabalha com gestão de frotas é outra camada desse dado: as 768 empresas participantes do estudo somam 22,4 mil veículos próprios e 28 mil terceirizados. É muita roda girando e, quanto mais o setor cresce, mais a logística de entrega é exigida, tanto em velocidade quanto em controle.

O modelo de operação que mais depende de frota continua tendo peso relevante no canal. O distribuidor com entrega responde por 31,3% do faturamento reportado, e a própria leitura da ABAD, ao desconsiderar os dados do Atacadão, mostra liderança dos distribuidores com entrega no canal indireto. Em outras palavras, uma parte importante do faturamento do setor ainda passa, literalmente, pela caçamba de um caminhão.

Como os resultados do Ranking ABAD são divulgados anualmente no mês de maio, a fotografia mais recente muda a base da análise: em vez de olhar apenas para 2024, o gestor passa a avaliar um mercado maior, com mais empresas respondentes e mais veículos declarados na operação. Mesmo quando o ritmo varia de um período para outro, o dado central permanece: o atacado distribuidor opera em escala alta e sob pressão constante por eficiência logística.

A frota como centro da estratégia, não como suporte

Esse cenário coloca a gestão da frota no centro do jogo para o atacado distribuidor, especialmente para quem opera com veículos próprios. A pressão por entregas mais rápidas e eficientes não se resolve aumentando o número de caminhões ou de motoristas, porque isso elevaria custos de forma proporcional. A resposta está em extrair mais desempenho da frota que já existe.

Roteirização inteligente, controle de manutenção preventiva, gestão de pneus e combustível, inspeções padronizadas… Tudo isso deixa de ser “melhoria operacional” e passa a ser condição para manter a competitividade. Quem ainda trabalha com rotas definidas por hábito, manutenção feita só quando o veículo quebra e controle de pneus na planilha está perdendo dinheiro a cada entrega.

Manter frota própria, aliás, é uma escolha que exige disciplina. O investimento vai além dos veículos e envolve sistemas de gestão, processos de manutenção, treinamento de motoristas e integração de dados.

Em contrapartida, permite algo que a terceirização dificilmente entrega: padronização dos processos e integração da logística ao relacionamento comercial com o cliente. Para um distribuidor que atende o pequeno e médio varejo (e que depende de frequência e confiabilidade na entrega), essa previsibilidade operacional se torna um ativo.

Em 2026, a tendência é de crescimento do uso de tecnologia na gestão da frota e da distribuição. Operações que investiram em dados e automação conseguem tomar decisões mais rápidas, identificar perdas antes que virem prejuízo e ajustar rotas com base em indicadores operacionais. Quem não fez esse movimento vai sentir cada vez mais o peso da ineficiência nos custos.

Os dados do setor reforçam uma equação que já é conhecida: à medida que o volume cresce, o controle sobre os ativos precisa acompanhar. Fatores como disponibilidade de veículos, custo por entrega e vida útil dos componentes passam a pesar mais no resultado e acompanhá-los de perto se torna parte da rotina, não apenas da estratégia.

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Perguntas frequentes

Quanto faturou o atacado distribuidor em 2025?

R$ 616,6 bilhões, de acordo com a ABAD. Em termos nominais, o avanço foi de 17,27%; descontada a inflação medida pelo IPCA, o avanço real foi de 11%. Com isso, a participação do setor no mercado mercearil, voltado a bens de consumo básico, passou de 53,7% em 2024 para 56% em 2025.

Quantos veículos tem a frota do atacado distribuidor?

As 768 empresas participantes do estudo da ABAD declaram 22,4 mil veículos próprios, além de 28 mil terceirizados. O distribuidor com entrega responde por 31,3% do faturamento reportado, e a leitura do canal indireto sem os dados do Atacadão mostra liderança dos distribuidores com entrega.

Por que o crescimento do atacado pressiona as frotas próprias?

Porque entregar mais rápido e com mais eficiência não se resolve adicionando caminhões e motoristas, o que elevaria os custos na mesma proporção; a resposta está em tirar mais da frota existente. Roteirização, manutenção preventiva, gestão de pneus e combustível e inspeções padronizadas deixam de ser melhoria opcional e viram condição de competitividade. Rotas definidas por hábito, manutenção só na quebra e controle de pneus em planilha significam perder dinheiro a cada entrega.

O que exige manter frota própria no atacado distribuidor?

Exige disciplina, porque o investimento não para nos veículos: inclui sistemas de gestão, processos de manutenção, treinamento dos motoristas e integração dos dados. Em troca, entrega o que a terceirização dificilmente oferece: processos padronizados e uma logística integrada à relação comercial com o cliente. Para distribuidores voltados ao pequeno e médio varejo, cuja entrega precisa ser frequente e confiável, essa previsibilidade operacional vira um ativo.

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