O atacado distribuidor brasileiro fechou 2024 com faturamento de R$443,4 bilhões, segundo o Ranking ABAD/NielsenIQ 2025. O crescimento nominal foi de 9,8% e o real, descontada a inflação, ficou em 4,97%. Com isso, o setor elevou sua participação no mercado mercearil (focado em bens de consumo básico) de 52,5% para 53,7%, a maior marca desde 2016.
Os números são expressivos, mas o que chama atenção para quem trabalha com gestão de frotas é outra camada desse dado: as 761 empresas respondentes do ranking somam 21 mil veículos próprios e 24 mil terceirizados. É muita roda girando e, quanto mais o setor cresce, mais a logística de entrega é exigida, tanto em velocidade quanto em controle.
O modelo de operação que puxa esse crescimento é justamente o que mais depende de frota. A “distribuição com entrega” responde por 45,5% do faturamento reportado pelas empresas do ranking e vem registrando expansão consistente nos últimos anos. Em outras palavras, quase metade do faturamento do setor passa, literalmente, pela caçamba de um caminhão.
No primeiro semestre de 2025, o ritmo desacelerou. O crescimento nominal foi de 5,4%, praticamente anulado pela inflação acumulada de 5,35% no período. Ainda assim, como destacou o presidente da ABAD, o resultado reflete a resiliência de um setor que opera sob juros altos, instabilidade no consumo e incertezas regulatórias com a reforma tributária.
A frota como centro da estratégia, não como suporte
Esse cenário coloca a gestão da frota no centro do jogo para o atacado distribuidor, especialmente para quem opera com veículos próprios. A pressão por entregas mais rápidas e eficientes não se resolve aumentando o número de caminhões ou de motoristas, porque isso elevaria custos de forma proporcional. A resposta está em extrair mais desempenho da frota que já existe.
Roteirização inteligente, controle de manutenção preventiva, gestão de pneus e combustível, inspeções padronizadas… Tudo isso deixa de ser “melhoria operacional” e passa a ser condição para manter a competitividade. Quem ainda trabalha com rotas definidas por hábito, manutenção feita só quando o veículo quebra e controle de pneus na planilha está perdendo dinheiro a cada entrega.
Manter frota própria, aliás, é uma escolha que exige disciplina. O investimento vai além dos veículos e envolve tecnologia de monitoramento, processos de manutenção, treinamento de motoristas e integração de dados.
Em contrapartida, permite algo que a terceirização dificilmente entrega: padronização dos processos e integração da logística ao relacionamento comercial com o cliente. Para um distribuidor que atende o pequeno e médio varejo (e que depende de frequência e confiabilidade na entrega), essa previsibilidade operacional se torna um ativo.
Em 2026, a tendência é de crescimento do uso de tecnologia na gestão da frota e da distribuição. Operações que investiram em dados e automação conseguem tomar decisões mais rápidas, identificar perdas antes que virem prejuízo e ajustar rotas com base em desempenho real. Quem não fez esse movimento vai sentir cada vez mais o peso da ineficiência nos custos.
Os dados do setor reforçam uma equação que já é conhecida: à medida que o volume cresce, o controle sobre os ativos precisa acompanhar. Fatores como disponibilidade de veículos, custo por entrega e vida útil dos componentes passam a pesar mais no resultado e monitorá-los de perto se torna parte da rotina, não apenas da estratégia.
Quer acompanhar as principais movimentações que impactam a gestão da sua frota? Assine a nossa newsletter e receba análises e atualizações direto no seu e-mail.