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Move Brasil 2: o que mudou no crédito para renovar a frota

Jean Zart Jean Zart 3 min de leitura
Move Brasil 2: o que mudou no crédito para renovar a frota

A primeira fase do Move Brasil durou menos de três meses. Os R$10 bilhões disponibilizados em janeiro de 2026 foram inteiramente consumidos em mais de 8 mil operações espalhadas por todas as regiões do país, antes mesmo da Medida Provisória que criou o programa vencer seu prazo de vigência. O ritmo de adesão surpreendeu até o governo.

Em 30 de abril, o presidente Lula assinou duas novas Medidas Provisórias lançando o Move Brasil 2. O programa de renovação de frotas foi ampliado em volume, em escopo e em condições financeiras. E, desta vez, com atenção redobrada ao segmento de caminhoneiros autônomos.

O que mudou em relação à fase 1

O volume de crédito mais que dobrou: saiu de R$10 bilhões para R$21,2 bilhões, sendo R$14,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$6,7 bilhões do próprio BNDES. O banco seguiu como operador do programa, agora com uma rede de mais de 80 instituições financeiras parceiras, incluindo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, o que ampliou o acesso principalmente para autônomos que já tinham conta nessas instituições.

As taxas de juros, que na fase 1 variavam entre 13% e 14% ao ano, foram reduzidas para aproximadamente 11,3% ao ano. O desenho anunciado também previa condições ainda menores para quem entregasse um veículo antigo, com mais de 20 anos, para reciclagem.

O prazo máximo de financiamento para autônomos dobrou, de 5 para 10 anos (120 meses), com carência ampliada de 6 para 12 meses. Para empresas, o prazo seguiu em até 60 meses, com carência de até 6 meses. O teto por beneficiário permaneceu em R$50 milhões.

O programa também passou a cobrir ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários como reboques e carrocerias, categorias que ficaram de fora na primeira etapa.

Quem pode participar e o que pode ser financiado

O Move Brasil 2 foi voltado a transportadores autônomos de cargas, pessoas físicas vinculadas a cooperativas, e empresas do setor de transporte rodoviário de cargas ou de passageiros. 

As regras de elegibilidade dos veículos foram mantidas: apenas produtos de fabricação nacional que atendam aos critérios de conteúdo local do BNDES e às exigências de emissões do Proconve (fase P-7). Autônomos e cooperados continuaram sendo os únicos que podiam financiar seminovos, desde que fabricados a partir de 2012. Frotistas seguiram restritos a veículos novos.

Os recursos destinados exclusivamente a autônomos passaram de R$1 bilhão para R$2 bilhões. As condições financeiras dessa faixa foram regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) na primeira semana de maio, e as regras de acesso foram publicadas em portaria do MDIC.

O que isso representa para gestores de frota

A segunda fase chegou num momento em que o setor ainda tinha cerca de 300 mil caminhões com mais de 20 anos em circulação no Brasil. As condições para renovar frota geralmente são de alto custo, e a combinação de juros abaixo de 12% ao ano, carência de um ano e prazo de uma década mostrou por que o tema ganhou peso no planejamento de substituição de ativos.

Para empresas transportadoras, mesmo com prazo menor que o dos autônomos, a taxa ficou bem abaixo da média de mercado para veículos pesados, que historicamente gira em torno de 20% a 23% ao ano.

Vale lembrar, porém, que a troca do veículo resolve uma parte do problema. Caminhões mais novos consomem menos diesel, quebram menos e demandam menos manutenção corretiva, mas o ganho real em eficiência operacional depende também de como a frota é gerida depois que o caminhão entra na operação.

Controle de pneus, programação de manutenção preventiva e inspeções estruturadas fazem a diferença na vida útil do ativo e nos custos reais por quilômetro rodado.

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Perguntas frequentes

O que mudou no Move Brasil 2 em relação à fase 1?

O crédito mais que dobrou: eram R$10 bilhões, passou a R$21,2 bilhões (R$14,5 bilhões do Tesouro e R$6,7 bilhões do BNDES), operados pelo BNDES com uma rede que passava de 80 instituições financeiras parceiras, entre elas Banco do Brasil e Caixa. Os juros caíram de 13% a 14% para aproximadamente 11,3% ao ano, o prazo para autônomos foi de 5 para 10 anos e a carência de 6 para 12 meses. Ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários passaram a ser cobertos.

Quem pode participar do Move Brasil 2?

O programa foi voltado a transportadores autônomos de cargas, pessoas físicas ligadas a cooperativas e empresas do transporte rodoviário, seja de cargas, seja de passageiros. Os veículos precisavam ser fabricados no Brasil, cumprir o conteúdo local exigido pelo BNDES e atender às emissões do Proconve na fase P-7. Seminovos ficaram restritos a autônomos e cooperados, e apenas se fabricados de 2012 em diante; frotistas ficaram restritos a veículos novos.

Qual é a taxa de juros do Move Brasil 2?

Aproximadamente 11,3% ao ano, contra 13% a 14% na primeira fase. Para empresas transportadoras, o valor ficou bem inferior à média de mercado de veículos pesados, que historicamente fica na faixa de 20% a 23% anuais.

Qual é o prazo de financiamento do Move Brasil 2?

Para autônomos, o prazo máximo dobrou: eram 5 anos, passou a 10 (120 meses), e a carência subiu de 6 para 12 meses. Empresas continuaram com prazo de até 60 meses e carência máxima de 6 meses. O teto por beneficiário continuou em R$50 milhões, e a faixa exclusiva para autônomos dobrou: R$2 bilhões, contra R$1 bilhão na fase 1.

Por que a primeira fase do Move Brasil acabou tão rápido?

A fase 1 não chegou a três meses: os R$10 bilhões liberados em janeiro de 2026 foram totalmente consumidos em mais de 8 mil operações em todas as regiões do país, antes mesmo de vencer a Medida Provisória que criou o programa. A velocidade de adesão surpreendeu o próprio governo, e a segunda fase veio com volume, escopo e condições ampliados.

O que o Move Brasil 2 representa para gestores de frota?

Ainda circulavam no Brasil cerca de 300 mil caminhões acima de 20 anos de idade, e renovar frota geralmente custa caro; juros inferiores a 12% ao ano, um ano de carência e prazo de uma década ajudam a explicar o peso do tema no planejamento de substituição de ativos. Mas a troca resolve só parte do problema: um caminhão mais novo gasta menos diesel e quebra menos, porém o ganho real em eficiência depende também da gestão depois da compra, com controle de pneus, manutenção preventiva programada e inspeções estruturadas.

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