Borracharia e oficina falam a mesma língua na sua frota? Como integrar os cronogramas

4 passos para alinhar a agenda da borracharia com a programação da frota e evitar paradas que poderiam ser planejadas.
4 passos para alinhar a agenda da borracharia com a programação da frota e evitar paradas que poderiam ser planejadas.

Na maioria das transportadoras com frotas de grande porte, a borracharia e a oficina mecânica operam sob o mesmo teto. Em um cenário ideal, elas se complementam, mas o problema é quando elas não necessariamente operam sob a mesma programação.

A manutenção preventiva geral tem seu cronograma: revisões por quilometragem, troca de óleo, alinhamento, balanceamento. A borracharia, por sua vez, responde à demanda do dia: furo, troca, reclamação de motorista.

Entre esses dois mundos existem tarefas de pneus que acabam não entrando em nenhum dos cronogramas, como inspeção de sulcos, controle de calibragem, programação de rodízio e avaliação de carcaças para recapagem. 

Essas são atividades que precisam de frequência própria, mas que em muitas operações simplesmente não estão agendadas em lugar nenhum.

O resultado disso? Os cenários podem variar entre veículos que param para manutenção preventiva e voltam para a rota sem que ninguém tenha olhado os pneus, ou a borracharia atendendo às demandas sem prioridade enquanto um precisava de urgência antes de sair para a próxima rota.

No fundo, é uma questão de organização da borracharia interna da transportadora e de como ela se conecta com o restante da operação.

A seguir, confira:

Diferenças entre o cronograma de manutenção geral e o de manutenção de pneus

A manutenção preventiva de caminhão da frota segue intervalos baseados em quilometragem ou tempo: a cada 10.000 km, a cada 30.000 km, a cada 6 meses.

Dentro desse cronograma, entram itens que focam no veículo como um todo, mesmo que algumas atividades se relacionem aos pneus (como o alinhamento e balanceamento).

A manutenção de pneus tem outra lógica. Cada ação tem o seu próprio tempo, a calibragem precisa de frequência própria (semanal ou quinzenal, dependendo da operação), enquanto a inspeção de sulcos tem intervalo de 15 a 30 dias.

Já a avaliação de carcaça para recapagem depende do ciclo de vida individual de cada pneu, não do plano de manutenção do caminhão.

Na prática, o que acontece é que as tarefas de pneus que coincidem com a manutenção geral (alinhamento, balanceamento) são executadas e as que não coincidem acabam ficando sem dono.

Esse “intervalo” entre os dois cronogramas gera paradas não planejadas de caminhão relacionadas a pneus. O veículo não parou porque faltou manutenção, mas porque o cronograma de manutenção de pneus não estava integrado à programação da frota.

Custos envolvidos na falta de comunicação entre borracharia e oficina

Sem integração entre borracharia e oficina da frota, dois tipos de custo aparecem:

O primeiro é o mais visível, o custo da parada não planejada. O veículo que sai para a rota e volta antes do previsto (ou não chega ao destino) por problema de pneu que poderia ter sido identificado antes.

A parada não planejada custa caro não só pelo reparo em si, mas pelo frete que não acontece, pela reorganização logística e pela urgência de atendimento.

O segundo é menos óbvio: o custo da parada planejada mal aproveitada. O veículo entra na oficina para manutenção preventiva, fica parado por horas ou dias, e sai sem que a borracharia tenha aproveitado a janela para fazer inspeção, calibragem e/ou rodízio.

A oportunidade de atender o pneu sem gerar parada adicional foi desperdiçada e semanas depois, o mesmo veículo precisa parar de novo, dessa vez exclusivamente para a borracharia.

Nos dois casos, a causa é a mesma: a borracharia não sabia que o veículo estaria disponível, ou a oficina não sabia que o pneu precisava de atenção. A informação existia em algum lugar (no sistema, na cabeça do borracheiro, na ficha do veículo) mas não chegou a quem precisava no momento certo.

Como construir a integração na prática

A integração entre borracharia e programação da frota não acontece instalando um sistema ou criando uma planilha. Ela acontece quando quatro condições estão atendidas:

Passo 1: tenha um plano de manutenção preventiva que funciona de verdade

Antes de integrar a borracharia a qualquer coisa, o plano de manutenção preventiva geral precisa existir e funcionar. Isso significa: cronograma definido por veículo, intervalos respeitados, responsáveis claros e registro de cada atendimento.

Se a manutenção preventiva geral ainda é informal ou inconstante, não há base para integrar. A borracharia precisa de uma programação para se conectar e essa programação é o plano preventivo.

Parece básico, mas é o passo que muitas operações tentam pular. Sem um planejamento da frota bem definido, não há base para integrar.

Passo 2: crie um plano de manutenção preventiva dos pneus

Com o cronograma geral funcionando, o segundo passo é estruturar a gestão de pneus da frota com um cronograma próprio. Ele deve incluir:

  • frequência de calibragem (semanal ou quinzenal, conforme a operação e/ou veículo);
  • frequência de inspeção de sulcos e condição visual;
  • programação de rodízio por padrão de desgaste;
  • avaliação de carcaças e encaminhamento para recapagem;
  • vistoria periódica de estepes e estoque.

Esse cronograma é a agenda da borracharia e precisa conversar com o cronograma geral da frota. Isso significa que quando um veículo entra no plano preventivo da oficina, a borracharia sabe e agenda suas tarefas para a mesma janela. O veículo para uma vez e sai com tudo resolvido.

Passo 3: utilize um sistema que facilite a troca de informações entre setores

A integração manual (planilha, quadro, conversa entre encarregados) funciona até certo ponto, mas depende de disciplina individual e não escala.

Em frotas com dezenas de veículos e atendimentos diários, a quantidade de informações que precisa circular entre borracharia e oficina é grande demais para depender de comunicação informal.

Um sistema de gestão de manutenção, por exemplo, que centraliza as informações do veículo, com o histórico de manutenção, e um sistema ou módulo de pneus que registre e guarde o status dos pneus, as inspeções pendentes e a programação de ambos os setores, reduz a dependência de pessoas para que a informação chegue no lugar certo.

A borracharia vê o que a oficina programou, a oficina vê o que a borracharia identificou e o gestor da frota vê o panorama completo.

Isso não significa que qualquer sistema resolve. O sistema precisa conversar com a realidade operacional: ser acessível na ponta (celular do borracheiro, terminal da oficina, etc.), registrar dados sem burocracia excessiva e gerar visibilidade para quem toma decisão.

Passo 4: garanta que todos os envolvidos estejam usando as ferramentas disponíveis

O melhor sistema não funciona se a equipe não usa. E “não usar” não significa recusar a ferramenta, significa usá-la parcialmente, preencher só quando cobrado ou registrar com atraso.

A adoção real depende de três coisas: a equipe entender o porquê (não só o como), o processo ser simples o suficiente para caber na rotina e o gestor acompanhar de perto nos primeiros meses.

Se o borracheiro registra a inspeção, mas o mecânico não consulta antes de liberar o veículo, a integração existe no sistema mas não na prática. Se a oficina agenda a preventiva, mas não sinaliza para a borracharia, a janela de atendimento se perde.

A integração da borracharia interna com a frota não é um projeto que se implementa uma vez. É um hábito que se constrói e que precisa de acompanhamento até virar rotina. Quando vira, o resultado aparece com menos paradas, melhor aproveitamento das janelas de manutenção e mais disponibilidade da frota.

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Autor

Diego Paludo

Especialista em pneus, com mais de 27 anos de experiência no setor, e hoje ministra treinamentos, palestras e consultorias. Além disso, conduz eventos em todo o Brasil, mostrando como as empresas podem alavancar os resultados através de uma gestão de pneus econômica e eficiente.

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