Greve dos caminhoneiros 2026: greve suspensa, mas estado de alerta continua

Greve dos caminhoneiros foi suspensa por 7 dias, mas o estado de alerta continua. Entenda o cenário e o impacto nas operações de transporte.
Greve dos caminhoneiros 2026.

Última atualização: 20 de março de 2026.

A greve dos caminhoneiros que vinha sendo articulada desde meados de março foi suspensa após assembleia realizada em Santos (SP) no dia 19 de março.

A paralisação não foi deflagrada, mas a categoria mantém o estado de alerta e deu um prazo de 7 dias ao governo federal para avançar nas negociações. Uma reunião com o ministro Guilherme Boulos está confirmada para 25 de março, e uma nova assembleia decisiva foi marcada para o dia 26.

O que levou à ameaça de greve

O estopim foi a alta do diesel. Desde o final de fevereiro, o preço do combustível acumula aumento de 18,86%, impulsionado pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde escoa cerca de 20% do petróleo bruto mundial.

A média nacional do diesel chegou a R$6,80 por litro, com picos acima de R$8 em estados do Centro-Oeste.

O diesel representa cerca de 40% do custo do frete rodoviário. Quando o combustível sobe dessa forma, o impacto é direto e especialmente para caminhoneiros autônomos, que absorvem o aumento quando o piso mínimo do frete não é respeitado pelas transportadoras contratantes.

Além da alta do diesel, a categoria reivindica a fiscalização efetiva do cumprimento do piso mínimo do frete, a redução do ICMS sobre o diesel pelos estados e a isenção de pedágio para veículos vazios. A percepção de que os benefícios anunciados pelo governo não estavam chegando às bombas intensificou a mobilização.

Cronologia dos fatos

28 de fevereiro. Início da escalada do diesel, acompanhando a disparada do petróleo no mercado internacional após o agravamento do conflito no Oriente Médio.

12 de março. Governo federal zera PIS/Cofins sobre o diesel (Decreto nº 12.875/2026) e edita MP nº 1.340/2026 criando subvenção de R$0,32 por litro para produtores e importadores. Previsão de redução total de R$0,64 por litro nas bombas. Custo estimado da medida: R$30 bilhões até o fim de 2026.

13 de março. Petrobras anuncia reajuste de R$0,38 por litro no diesel para distribuidoras, com vigência a partir do dia seguinte. No mesmo dia, a ANTT atualiza a tabela do piso mínimo do frete com reajustes de até 7%.

16 de março. Assembleia em Santos. Sindicam e Abrava aprovam início de movimento grevista. Lideranças de SP, PR, SC, GO e RS sinalizam adesão.

17 de março. CNTTL publica nota de apoio à greve e recua no mesmo dia, informando que aguardaria o resultado de novas reuniões.

18 de março. Ministro dos Transportes Renan Filho anuncia pacote de fiscalização eletrônica do piso do frete. Assembleia de entidades em Santos termina sem consenso.

19 de março. Assembleia decisiva em Santos: o estado de greve é mantido, mas caminhoneiros seguem trabalhando, dando um prazo de 7 dias ao governo para atender às exigências. No mesmo dia, o governo publica a MP nº 1.343/2026 (multas de R$1 a R$10 milhões por descumprimento do piso do frete, registro obrigatório de todas as operações via CIOT, possibilidade de suspensão do RNTRC por até 2 anos em caso de reincidência) e o Decreto nº 12.883/2026 (diretrizes para preço de referência do diesel). Em SC, Justiça Federal proíbe bloqueios nas BRs 101 e 470 com multas de R$10 mil para pessoas físicas e R$100 mil para pessoas jurídicas.

Situação atual e próximos passos

Até a data desta publicação (20 de março), o cenário é o seguinte:

A greve está suspensa, mas o estado de alerta permanece. A Abrava suspendeu a paralisação até a próxima rodada de negociações. O Sindicam avalia que não há ambiente para greve neste momento, mas as lideranças mantêm que a situação pode mudar dependendo do avanço das conversas com o governo.

Os próximos marcos são a reunião da categoria com o ministro Guilherme Boulos em 25 de março e a nova assembleia em 26 de março, que será determinante para definir se a greve é deflagrada ou definitivamente descartada neste momento.

As medidas anunciadas pelo governo até o momento incluem a zeragem de PIS/Cofins sobre o diesel, a subvenção de R$0,32 por litro para produtores e importadores, a MP que endurece a fiscalização do piso do frete com multas milionárias e registro obrigatório via CIOT, diretrizes para preço de referência do diesel e investigação da PF sobre aumentos abusivos em postos.

É um pacote amplo, mas a categoria avalia que os efeitos práticos, especialmente na redução do preço nas bombas, ainda não foram sentidos de forma consistente.

Como isso impacta a sua gestão de frotas

Mesmo sem a deflagração da greve, o cenário já impacta as operações de transporte de cargas de formas concretas.

O custo do diesel pesa diretamente no custo operacional da frota, independentemente de haver paralisação ou não. Para operações que dependem de autônomos, a nova MP que obriga o registro de todas as operações via CIOT e prevê multas milionárias por descumprimento do piso do frete muda a dinâmica de contratação, o que pode se traduzir em aumento de custo para transportadoras que até então praticavam valores abaixo da tabela.

Se a greve vier a ser deflagrada, o risco é de desabastecimento, atraso de entregas e pressão nos compromissos com embarcadores. A referência mais próxima é a greve de 2018, que durou 10 dias e gerou desabastecimento generalizado em todo o país.

Para gestores de frota, o momento pede atenção a três frentes: acompanhar a evolução das negociações, revisar cenários de economia de diesel diante da nova realidade de preços e ter um plano de contingência caso a paralisação se concretize nas próximas semanas.

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Autor

Jean Zart

Co-fundador e CEO da Prolog, possui mais de 10 anos de experiência no mundo do transporte e logística, tendo atuado nas áreas de análise de gestão e processos. Desde 2016, se dedica à Prolog, motivado a gerar inovação tecnológica e otimização na gestão de frotas.

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