Qual é o panorama da logística no Brasil?
A logística no Brasil é frequentemente associada a desafios, especialmente nas operações que dependem do transporte rodoviário. Esses desafios não impedem uma boa prestação de serviço, mas exigem planejamento compatível com a rota, a carga, a frota e a capacidade de cada empresa.
Quando a operação está preparada, é possível buscar preço, prazo e atendimento coerentes com o serviço contratado. Para isso, gestores precisam conhecer as limitações da cadeia e transformar ocorrências em informações que possam orientar a próxima decisão.
Situação em 2021
Esta seção registra o contexto em que o artigo foi publicado. Durante a pandemia, o transporte de cargas cresceu e, em 2021, manteve ritmo elevado. De janeiro a abril daquele ano, foram R$ 3 trilhões movimentados, conforme o relatório Índice da Movimentação de Cargas do Brasil da AT&M.
O crescimento do comércio eletrônico naquele período aumentou a pressão sobre o transporte de cargas e tornou mais visível o papel dos operadores logísticos. O dado histórico ajuda a entender o cenário de 2021, mas não deve ser usado como retrato automático da demanda atual.
Operadores logísticos oferecem não apenas o transporte, mas também a gestão de partes da cadeia. As transportadoras podem participar de estratégias de entrega, escolher horários e dias viáveis para otimizar a operação e, conforme o modelo de negócio, cuidar também de armazenagem.
Com o crescimento da atividade, desafios e problemas da logística no Brasil ficam mais evidentes. A resposta não é a mesma para todas as empresas: depende de infraestrutura, tipo de carga, região atendida, contratos e recursos disponíveis.
Maiores desafios da logística no Brasil
Um dos desafios está na dependência do transporte rodoviário e nas condições da infraestrutura. A qualidade da estrada, a rota escolhida, a carga e a manutenção do veículo influenciam custos, segurança e previsibilidade; por isso, precisam ser considerados juntos no planejamento.
Estradas precárias podem aumentar o desgaste de veículos e pneus e elevar o custo do transporte. Não é prudente usar médias genéricas de durabilidade de pneus para definir a expectativa da frota: modelo, aplicação, carga, pressão, pavimento e rotina de manutenção mudam o resultado de cada operação. Para acompanhar esse impacto no planejamento, também vale observar as condições das rodovias brasileiras que fazem parte da operação.
Além disso, a adoção de tecnologias não é uniforme entre empresas de transporte. A ferramenta só gera valor quando se encaixa no processo, tem responsáveis definidos e produz registros que a equipe consegue conferir e usar.
Outra dificuldade está em manter o cliente informado sem assumir prazos que a operação não consegue cumprir. Previsões de demanda, integração entre sistemas e comunicação sobre ocorrências podem apoiar esse trabalho, desde que a informação compartilhada seja atualizada e verificável.
Como encarar os problemas
Um primeiro passo é escolher tecnologias e rotinas que resolvam problemas concretos. A empresa não controla as condições das estradas, mas pode organizar inspeções, manutenção e planejamento para conservar melhor os veículos da frota e reagir mais cedo a uma anomalia.
Isso envolve tanto inspeções veiculares quanto roteirização. Antes de adotar uma nova ferramenta, defina o dado que será coletado, quem confere a informação e qual decisão será tomada a partir dela.
Existem exemplos de operações que ajustam trajetos para reduzir esperas ou manobras difíceis. Eles servem como hipótese para análise, não como regra universal: um caminho mais longo pode aumentar custos, tempo ou risco em outra realidade.
Mesmo quando um trajeto alternativo parece vantajoso, é preciso comparar distância, pedágios, tempo de espera, condições da via e requisitos de atendimento. A economia só pode ser confirmada depois de medida no contexto da própria frota.
Tecnologia e dados podem apoiar uma operação de transportes mais organizada quando permitem registrar demandas, condições dos veículos e custos por etapa. O objetivo é tomar decisões informadas, sem transformar previsões ou indicadores em certezas.
Assim, informações sobre demanda, inspeções, cargas e custos podem ajudar a empresa a buscar reduções de desperdício e melhorar o planejamento. O acompanhamento deve mostrar também o que não funcionou, para que o processo seja revisto.
O surgimento das logtechs
As logtechs são empresas de tecnologia, muitas delas startups, voltadas a demandas do setor logístico. Há soluções para rastreamento e monitoramento de veículos e cargas, checklist eletrônico de inspeção de veículos, cálculo e marketplace de fretes, gestão de pneus e outras atividades.
Como essas soluções costumam atender a questões específicas, uma empresa pode usar mais de uma ferramenta. A integração precisa ser pensada para que cadastros, responsáveis e informações de cada sistema sejam compatíveis; centralizar dados sem critério pode apenas concentrar inconsistências.
Operadores logísticos que fazem estoque, transporte, armazenagem e distribuição precisam fazer essas etapas conversarem entre si. O ganho está em tornar dependências visíveis e coordenar decisões, não em supor que uma única plataforma resolve toda a operação.
As logtechs ganharam espaço ao propor recursos para agilizar e organizar etapas do setor. Ao avaliar uma solução, considere o problema que ela resolve, o esforço de implantação, a qualidade dos dados e como o resultado será medido depois da adoção.
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