Tendências da logística para 2025
A logística, cada vez mais impulsionada por avanços tecnológicos e mudanças no comportamento do mercado, continua a moldar o setor de transporte. As principais tendências da logística incluem novas ferramentas e práticas que aumentam a eficiência, reduzem custos e tornam as operações mais sustentáveis.
Para acompanhar essas transformações, as empresas precisam adaptar seus processos às tendências mais relevantes. A lista a seguir está organizada pelo problema que cada tendência resolve na operação, e não pela novidade do ano: algumas já são rotina em boa parte das frotas, outras ainda dependem de regulamentação para escalar. Conheça as principais tendências da logística e como elas impactam a gestão de frotas e o transporte de cargas:
- ESG e sustentabilidade
- Entrega por drones
- Automatização e IoT
- SaaS e logtechs
- Big data e mineração de dados
- Inteligência artificial e machine learning
- Segurança da informação
- Gestão baseada em dados (data-driven)
- Crescimento da logística de última milha
- Logística omnichannel
- Business intelligence
ESG e sustentabilidade
A sustentabilidade deixou de ser apenas um diferencial competitivo e passou a ser uma exigência do mercado. As práticas ESG (Ambiental, Social e Governança) ocupam um papel central na logística porque o transporte rodoviário é, ao mesmo tempo, grande consumidor de combustível e elo obrigatório de quase toda cadeia de suprimentos.
No caso brasileiro, parte dessa pressão já está escrita na regra do combustível. A Lei nº 14.993/2024 alterou a Lei nº 13.033/2014 para estabelecer metas de percentuais de adição obrigatória de biodiesel ao óleo diesel vendido ao consumidor final em todo o território nacional: 15% a partir de 1º de março de 2025, 16% a partir de 1º de março de 2026, 17% em 2027, 18% em 2028, 19% em 2029 e 20% a partir de 1º de março de 2030. A própria lei condiciona esse calendário: cabe ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) avaliar a viabilidade das metas e fixar o percentual obrigatório, em volume, entre 13% e 25%.
Veja um exemplo de como as práticas de uma estratégia ESG podem ser aplicadas na rotina de uma operação de transporte:
| Práticas ESG: Ambiental | Controlar a emissão de gases nocivos pela queima de combustível, por exemplo, utilizando veículos elétricos |
| Práticas ESG: Social | Fazer um plano de gestão de riscos para as operações de transporte |
| Práticas ESG: Governança | Estabelecer uma política de frotas justa e pertinente a todos da operação |
Entrega por drones
Apesar dos desafios de peso da carga, autonomia e distância percorrida, os drones já foram testados e aderidos por algumas empresas, como a varejista Amazon.
Esses dispositivos continuam a ser uma solução em evolução para entregas de pequenos pacotes. Embora ainda enfrentem desafios regulatórios e limitações tecnológicas, como alcance e capacidade de carga, sua aplicação cresce em áreas urbanas densas e regiões de difícil acesso.
Vale entender qual é, concretamente, o desafio regulatório no Brasil. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o cadastro no Sistema de Aeronaves não Tripuladas (SISANT) é obrigatório para as aeronaves não tripuladas de uso recreativo (aeromodelo) ou não recreativo (RPA) com peso máximo de decolagem superior a 250 g, e o sistema gera uma certidão de cadastro que é documento de porte obrigatório em todas as operações. Com a entrada em vigor da Emenda 02 do Regulamento Brasileiro de Aviação Civil Especial (RBAC-E) nº 94, passaram a ser cadastrados no SISANT também os drones Classe 3 (peso máximo de decolagem menor que 25 kg) em operações BVLOS, isto é, além da linha de visada, ou acima de 400 pés, e todos os da Classe 2 (peso máximo de decolagem entre 25 e 150 kg) — justamente as faixas em que uma operação de entrega a distância tende a se enquadrar.
Com custos reduzidos em combustível e maior rapidez na entrega, os drones podem representar um avanço relevante, especialmente para o e-commerce e a logística de última milha. O ritmo dessa adoção, porém, depende menos do equipamento e mais do enquadramento regulatório de cada tipo de operação.
Automatização & IoT
A internet das coisas gira em torno do conceito de controlar e monitorar os processos da logística do transporte via dispositivos como o smartphone e tablet — com conexão à internet.
E ela já é uma realidade na logística. Em soluções de IoT oferecidas por fornecedores especializados, dispositivos conectados permitem monitorar em tempo real desde o desempenho de veículos até as condições da carga, como temperatura e umidade.
Há também sistemas e ferramentas que automatizam tarefas e processos da rotina de uma operação. Ou seja, diminuem o trabalho manual e otimizam o tempo de realização de cada atividade.
A automatização de processos ainda reduz erros operacionais. Um exemplo prático é o uso de sensores em caminhões para alertar sobre a necessidade de manutenção preventiva, evitando paradas inesperadas.
Convém separar dois tipos de dado que costumam ser confundidos nessa conversa: o que nasce de sensor embarcado e o que nasce de inspeção e apontamento humano. Checklist eletrônico, aferição de pneus e ordem de serviço de oficina alimentam boa parte dos indicadores de manutenção sem depender de qualquer dispositivo conectado no veículo.
SaaS e logtechs
O modelo de Software as a Service (SaaS) se consolidou como uma das principais soluções para a logística.
Plataformas de gestão digital, desenvolvidas por logtechs, permitem que empresas de qualquer porte otimizem áreas específicas, como gestão de pneus, roteirização e controle de manutenção.
A vantagem estrutural do modelo é o recorte: em vez de um sistema único que promete resolver tudo, cada logtech ataca um desafio específico da operação com uma ferramenta acessível e customizável — e a empresa monta a combinação que faz sentido para o seu caso.
A Prolog, por exemplo, oferece uma solução completa em gestão de pneus, além de um sistema de gestão de manutenção e a plataforma de checklist eletrônico — nos três casos, os dados chegam por inspeção e por apontamento de oficina, feitos pela própria equipe da operação.
Big data e mineração de dados
O big data na logística transforma o modo como decisões são tomadas na logística. Ao processar grandes volumes de dados, as empresas conseguem prever demandas, otimizar rotas e identificar gargalos operacionais.
Com o aumento nas possibilidades de gerar e armazenar dados, uma empresa consegue avaliar processos e estratégias, otimizando sua gestão.
Essa etapa de analisar grandes volumes de informação para gerar conhecimento e auxiliar na tomada de decisões também é conhecida como a “mineração de dados”, indo além da coleta e permitindo extrair insights valiosos, como prever períodos de maior consumo ou determinar os melhores horários para entrega.
O pré-requisito costuma ser esquecido: volume de dado só vira insight quando o registro é padronizado. Cadastro de veículo inconsistente, motivo de parada escrito em campo livre e data preenchida à mão inviabilizam qualquer mineração, por maior que seja a base.
Inteligência artificial e machine learning
A inteligência artificial (IA) e o aprendizado de máquina (machine learning) estão transformando a logística com soluções mais inteligentes e ágeis. Essas tecnologias são usadas, principalmente, para prever demandas, otimizar rotas e até automatizar tarefas administrativas.
Por exemplo, sistemas de machine learning podem analisar padrões de consumo de combustível e sugerir ajustes na operação para reduzir custos. Já os chatbots integrados com IA são usados por transportadoras e varejistas para gerenciar comunicações com clientes e fornecer atualizações sobre o andamento das entregas.
Como qualquer modelo aprende do histórico que recebe, o resultado acompanha a qualidade desse histórico: previsões treinadas em dados incompletos erram com a mesma confiança com que acertariam. Vale tratar a saída do modelo como sugestão a ser conferida, não como decisão pronta.
Segurança da informação
Com o armazenamento de tantos dados nos meios digitais, proteger a empresa, fornecedores e clientes de possíveis ataques é fundamental. Por isso, a segurança da informação também cresce como tendência.
Quando esses dados incluem dados pessoais — de motoristas, clientes ou fornecedores —, deixa de ser só boa prática e passa a ser obrigação legal. A Lei nº 13.709/2018, a Lei Geral de Proteção de Dados, determina que os agentes de tratamento devem adotar medidas de segurança, técnicas e administrativas, aptas a proteger os dados pessoais de acessos não autorizados e de situações acidentais ou ilícitas de destruição, perda, alteração, comunicação ou qualquer forma de tratamento inadequado ou ilícito (art. 46). A mesma lei estabelece que o controlador deverá comunicar à autoridade nacional e ao titular a ocorrência de incidente de segurança que possa acarretar risco ou dano relevante aos titulares (art. 48).
Estratégias como criptografia, backups regulares e treinamento para evitar ataques de phishing ajudam a proteger dados de clientes, fornecedores e colaboradores.
As ações a serem realizadas vão depender do tamanho das operações e tipo de armazenamento que fazem, mas tudo começa no mesmo ponto: a avaliação de riscos e vulnerabilidades das suas ferramentas tecnológicas.
Gestão baseada em dados (data-driven)
A gestão data driven é uma das tendências da logística mais fortes do setor. Empresas estão deixando de lado a intuição para basear suas decisões em dados concretos e atualizados.
Na logística, isso se traduz em maior controle operacional.
Os sistemas de telemetria vendidos por fornecedores especializados fornecem informações detalhadas sobre o desempenho dos veículos. Já as ferramentas de BI (business intelligence) ajudam a identificar pontos de melhoria na operação — e estes são apenas dois exemplos dentre as diversas possibilidades. Do outro lado do mesmo tema estão os dados que a operação produz por conta própria: inspeções, checklists e apontamentos de oficina, que sustentam os indicadores de manutenção e de pneus sem depender de hardware embarcado.
Adotar a gestão data driven, na prática, começa por escolher poucos indicadores, definir quem responde por cada um e fixar a periodicidade da leitura. Painel com dezenas de números que ninguém lê não é gestão baseada em dados.
Crescimento da logística de última milha
A última milha, ou seja, a etapa final da entrega ao cliente, continua a ser um dos maiores desafios logísticos. É a fase que concentra investimento em soluções específicas, incluindo o uso de bicicletas elétricas, lockers inteligentes e sistemas de geolocalização.
A razão é estrutural: tipicamente é o trecho com mais paradas por quilômetro rodado, com mais variáveis fora do controle da transportadora — trânsito, acesso ao endereço, ausência do destinatário — e maior exposição direta ao cliente final.
Empresas que conseguem agilizar a entrega e melhorar a experiência do cliente na última milha se destacam no mercado, especialmente no e-commerce.
Logística omnichannel

A integração de diferentes canais de venda e entrega continua a ser uma das tendências da logística. Com a logística omnichannel, empresas podem oferecer uma experiência de compra mais integrada e conveniente, como a possibilidade de comprar online e retirar na loja física.
Essa estratégia não só melhora a experiência do cliente, mas também otimiza os processos internos da operação. O ponto de atenção fica no estoque: quando o mesmo item pode ser vendido por mais de um canal, a integração precisa alcançar o inventário, e não apenas a vitrine.
Business Intelligence (BI)
Business Intelligence, traduzido para “inteligência de negócio”, trata-se de usar todo o conhecimento sobre a sua empresa para tomar decisões mais estratégicas.
Ao reunir dados de todos os setores da operação de transporte, desde o armazém até a chegada no destino da mercadoria, você tem mais campo para decidir os próximos passos com alta precisão e expectativa de resultados.
Diferentemente da mineração de dados, que busca padrões escondidos em grandes volumes, o BI costuma responder a perguntas que a operação já sabe fazer: qual filial gasta mais com manutenção, qual rota atrasa mais, qual cliente concentra devoluções.
A direção comum a todas essas tendências é a integração entre tecnologia, sustentabilidade e experiência do cliente. Empresas que adotarem essas tendências tendem a estar mais preparadas para enfrentar os desafios do mercado e se destacar na operação.
Quer implementar as tendências da logística em sua gestão? Comece baixando nosso material de inteligência artificial para gestão de frotas!
// newsletter
Conteúdo de gestão de frotas, direto no seu e-mail
Artigos sobre pneus, manutenção e operação de frotas. Sem spam.

