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Tecnologia e eficiência logística

O que é preciso para garantir a segurança da informação na logística

Luiz Felipe Luiz Felipe 9 min de leitura
O que é preciso para garantir a segurança da informação na logística

O uso de novas tecnologias tornou-se uma parte importante das operações de transporte. No entanto, com o crescimento deste uso, precisamos estar cientes também da importância da segurança da informação na logística.

Drones para entregas, etiquetas RFID que acompanham volumes ao longo da cadeia, checklist eletrônico, controle de abastecimento de combustível, entre outros, são exemplos de ferramentas que melhoram a eficiência e a produtividade de uma operação. Porém, também representam um risco para violações de privacidade e dados.

Apesar de revolucionar o setor, tornando-o mais eficiente e rápido, com os benefícios vêm certos riscos que precisam ser considerados ao garantir a segurança da informação na logística.

Há ainda um ponto que mudou desde que esse debate começou: parte relevante dessas informações são dados pessoais — de motoristas, clientes e fornecedores —, e o tratamento deles no Brasil é regido pela Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018). Isso desloca a segurança da informação do campo das boas práticas para o das obrigações legais, com deveres, prazos e sanções previstos em norma.

O que é segurança da informação na logística?

A segurança da informação em logística é a proteção de informações e sistemas digitais na cadeia de suprimentos. É o conjunto de esforços e diferentes ações para prevenir que sejam perdidos ou atacados os dados da empresa.

Isso inclui todas as categorias de dados, desde as informações internas, sobre processos, veículos e funcionários, até os cadastros de clientes e fornecedores armazenados no sistema da transportadora.

Essa distinção importa na hora de definir prioridades. Um dado operacional perdido é um prejuízo interno; um dado pessoal exposto é, além disso, um evento com consequências jurídicas — e é a natureza do dado, não o tamanho da empresa, que define qual regime se aplica. Se você ainda não mapeou esse ponto, vale começar pela aplicação da LGPD na gestão de frotas.

Como as empresas podem proteger seus dados?

Uma ação fundamental que as empresas devem realizar é a criação de um plano para lidar com os ataques cibernéticos, incluindo quem será responsável por responder e quais medidas serão tomadas. Além do mais, todos os funcionários precisam ser instruídos sobre como se proteger no meio digital, sabendo identificar e-mails ou sites suspeitos.

Esse plano deixou de ser só recomendação. A LGPD estabelece, em seu art. 46, que os agentes de tratamento devem adotar medidas de segurança, técnicas e administrativas aptas a proteger os dados pessoais de acessos não autorizados e de situações acidentais ou ilícitas de destruição, perda, alteração, comunicação ou qualquer forma de tratamento inadequado ou ilícito. A lei não lista as ferramentas a usar: o § 2º do mesmo artigo diz apenas que essas medidas devem ser observadas desde a fase de concepção do produto ou do serviço até a sua execução.

Há alguns anos, um antivírus básico contra malwares podia parecer suficiente, mas hoje a tecnologia já está muito difundida e vemos gigantes do mercado sofrendo ataques. Portanto, é preciso ter atenção e dedicação nesse quesito.

Para começar, a empresa deve focar na divulgação das medidas para sua equipe. A implementação de novas medidas, esforços e procedimentos deve sempre iniciar internamente.

Você pode, se houver recursos para tal, criar um setor de TI na sua gestão de frota ou contratar uma agente especializada no assunto.

Um erro comum cometido na segurança da informação na logística é a falta de um sistema de backup. É preciso que você determine os dados que devem ser salvos, de quanto em quanto tempo realizar as cópias e onde ficarão salvas com segurança.

E vale testar a restauração de vez em quando: backup que nunca foi restaurado é uma hipótese, não uma garantia. O teste também revela quanto tempo a operação levaria para voltar ao ar — informação que costuma faltar exatamente no dia em que ela é necessária.

O que são as violações da segurança na logística?

Violações de segurança da informação podem ocorrer quando os dados são acessados ou roubados por indivíduos não autorizados. Isso pode acontecer por meio de hackers, ataques de malware ou simplesmente roubando dispositivos físicos que contêm dados confidenciais.

Outro risco é a perda de dados por mau funcionamento de um dispositivo. Às vezes, uma simples queda de energia pode gerar a falha de um computador e prejudicar os dados que estavam salvos neste.

Por isso, é importante ter medidas em vigor para evitar que você perca completamente seus históricos ou que os dados caiam em mãos erradas.

Afinal, quando esses dados são comprometidos, podem resultar em perdas financeiras, perda da confiança do cliente e consequências previstas em lei.

Quando o incidente envolve dados pessoais, existe um dever de comunicar. O art. 48 da LGPD determina que o controlador deverá comunicar à autoridade nacional e ao titular a ocorrência de incidente de segurança que possa acarretar risco ou dano relevante aos titulares, informando, no mínimo, a natureza dos dados afetados, os titulares envolvidos, as medidas de segurança utilizadas, os riscos do incidente, os motivos de eventual demora e as providências adotadas para reverter ou mitigar os efeitos. O prazo não está na lei — o § 1º remete à autoridade nacional —, e a ANPD o fixou em seu regulamento: segundo a página oficial do órgão sobre o tema, a comunicação à ANPD e ao titular deve ser feita pelo controlador em até 3 dias úteis, conforme os arts. 6º e 9º da Resolução CD/ANPD nº 15, de 24 de abril de 2024.

Note o recorte: o dever recai sobre o controlador e vale para incidentes que possam acarretar risco ou dano relevante aos titulares — não para toda falha técnica. Como a avaliação depende do caso concreto, essa é uma decisão para tomar com apoio jurídico, e não a partir de um artigo de blog.

Do lado das sanções, o art. 52 prevê, entre outras, advertência com indicação de prazo para adoção de medidas corretivas e multa simples de até 2% do faturamento da pessoa jurídica de direito privado, grupo ou conglomerado no Brasil no seu último exercício, excluídos os tributos, limitada, no total, a R$ 50 milhões por infração. O § 1º do mesmo artigo condiciona a aplicação: as sanções são impostas após procedimento administrativo que possibilite ampla defesa, de forma gradativa, isolada ou cumulativa, considerando parâmetros como a gravidade da infração, a boa-fé do infrator, a reincidência e o grau do dano.

As organizações precisam estar cientes dos riscos associados ao uso de tecnologia na logística e tomar medidas para se proteger desses riscos. Então:

Como garantir a segurança da informação na logística?

Seja com a implementação de políticas e procedimentos sólidos de segurança da informação, treinamento de funcionários sobre como proteger dados confidenciais ou usar a própria tecnologia de criptografia para proteger os dados contra acessos não autorizados.

Contra algumas das ameaças, as transportadoras podem ainda contar com firewalls e software antivírus modernos. Além disso, o uso da nuvem é uma tendência na logística e o motivo é claro: mesmo se perder um dispositivo por falha técnica, seus dados ficam a salvo e armazenados para acessar de outros locais.

A nuvem, porém, muda o desenho do risco em vez de eliminá-lo: o acesso passa a depender de credenciais, e uma credencial compartilhada entre a equipe do pátio pode comprometer boa parte do controle contratado. Vale combinar a escolha do fornecedor com regras internas de acesso — quem entra em quê, e o que acontece quando alguém deixa a empresa.

Ao tomar essas precauções, as organizações podem ajudar a reduzir o risco de violações de segurança da informação na logística e proteger seus interesses comerciais.

Reservar um tempo para planejar e executar adequadamente uma estratégia de segurança pode ajudar a evitar violações de dados e outros ataques dispendiosos. As principais etapas incluem:

  1. Realização de uma avaliação de risco, ajudando a identificar possíveis vulnerabilidades e determinar quais áreas precisam de mais proteção.
  2. Estabelecimento de políticas e procedimentos adaptados às necessidades específicas da sua empresa, e todos na organização devem estar familiarizados com eles.
  3. Implantação de soluções de segurança adequadas pode incluir firewalls, software de criptografia, programas antivírus, etc.
  4. Testagem regular de sistemas, verificando os pontos fracos e realizando testes de invasão cibernética, você pode detectar todas as vulnerabilidades antes que elas sejam exploradas por pessoas mal-intencionadas.

Um cuidado sobre a última etapa: teste de invasão se combina antes de começar, com escopo, janela de execução e autorização formal registrados — inclusive quando quem conduz é a própria equipe de TI. Sem esse acordo prévio, o teste costuma parar no meio ou ser confundido com um ataque real pela equipe que deveria respondê-lo.

Quais os procedimentos da segurança de informação na logística?

Cinco categorias organizam bem o que precisa ser garantido: controle de acesso, integridade, autenticação, confidencialidade e não repúdio. Elas não são um padrão criado para logística — são os serviços de segurança descritos na arquitetura de segurança para interconexão de sistemas abertos, publicada na Recomendação ITU-T X.800, tecnicamente alinhada à norma ISO 7498-2. O próprio documento delimita seu alcance: trata dos aspectos visíveis do caminho de comunicação entre sistemas, e não das medidas de segurança necessárias nas instalações e na organização. Ou seja, servem como roteiro do que verificar, não como certificação a exibir.

Para proteger dados e sistemas contra acesso não autorizado, as empresas precisam implementar medidas de segurança rigorosas, como IDs de usuário e senhas, firewalls e sistemas de detecção de intrusão.

Os dados também devem ser regularmente copiados e monitorados para que qualquer atividade incomum possa ser tratada imediatamente.

O uso crescente de dispositivos móveis e soluções de armazenamento baseadas em nuvem facilitou para os funcionários acessarem os dados da empresa de qualquer lugar e a qualquer momento — outro risco que deve ser considerado e planejado para aumentar a segurança digital da sua empresa.

Como resultado, as empresas precisam garantir que seus protocolos de segurança estejam atualizados e que os funcionários sejam devidamente treinados sobre como usar essas tecnologias com segurança.

Em operações de transporte, esse ponto tem um agravante prático: boa parte do acesso acontece fora do escritório, em celular de motorista, tablet de portaria ou computador compartilhado de oficina. Definir o que cada perfil enxerga e revisar essa lista quando alguém muda de função costuma render mais do que investir em uma ferramenta a mais.

Agora que você já conhece a importância de ter uma estratégia para segurança da informação na logística, confira as principais tecnologias para incluir na sua frota:

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