Pneus verdes: podem se tornar uma tendência para as frotas de transporte?
Os pneus verdes são conhecidos por sua construção ecológica e maior eficiência energética, representando uma inovação importante no setor de transportes.
Eles também vão ao encontro das pautas de sustentabilidade e responsabilidade ambiental que vêm crescendo no setor do transporte, muito pelas discussões sobre as práticas ESG no transporte.
Entenda melhor:
- O que é um pneu verde?
- Porque pneu verde?
- Qual a diferença para os convencionais?
- Quando investir em pneus verdes nas frotas de caminhões?
- Qual o desempenho de um pneu verde?
- Como avaliar esses pneus na sua frota?
O que é um pneu verde?
Os pneus verdes são modelos de pneus projetados com foco na sustentabilidade e na eficiência. Eles são fabricados com materiais diferentes dos usados nos pneus convencionais, com a proposta de reduzir o impacto ambiental do produto.
Além de serem apresentados como menos prejudiciais ao meio ambiente, os pneus verdes podem diminuir o consumo de combustível e as emissões de dióxido de carbono do veículo.
A construção dos pneus verdes também inclui a otimização do desenho da banda de rodagem e da carcaça, visando oferecer melhor desempenho em condições variadas de estradas.
Uma ressalva que ajuda na hora de comprar: “pneu verde” é um nome comercial, não uma categoria da regulamentação brasileira. O que a regra oficial exige é outra coisa — a classificação do pneu em parâmetros medidos. Segundo o Inmetro, a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) classifica três parâmetros do pneu: resistência ao rolamento, em escala de A a G; aderência em pista molhada, de A a F; e nível de pressão sonora (ruído). A etiqueta está entre as marcações obrigatórias listadas pelo Inmetro para pneus de automóveis de passeio, caminhões e ônibus.
Porque pneu verde?
A escolha por esses pneus é motivada principalmente pela crescente conscientização ambiental e pela necessidade de adotar práticas mais sustentáveis no setor de transportes.
Utilizando materiais menos prejudiciais ao ambiente e técnicas de produção que minimizem a emissão de poluentes, os pneus verdes são apresentados como um passo rumo à responsabilidade ecológica.
Além disso, a redução da resistência ao rolamento proporcionada por esses pneus pode levar a uma diminuição do consumo de combustível e, com ela, a uma redução nas emissões de gases de efeito estufa.
Esse é um parâmetro levado a sério pela regulamentação, e não apenas pelo marketing: não à toa, a resistência ao rolamento é classificada justamente na etiqueta chamada Etiqueta Nacional de Conservação de Energia, editada pelo Inmetro com base na política nacional de conservação e uso racional de energia.
Isso se alinha com as metas globais de redução de emissões de carbono e com os princípios de ESG (Environmental, Social, and Governance) que muitas empresas estão adotando.
Portanto, optar por pneus verdes não é apenas uma escolha que pode beneficiar o meio ambiente, mas também uma decisão que tende a conversar com a imagem corporativa e com as demandas de um mercado cada vez mais consciente sobre questões ambientais.
Qual a diferença dos pneus verdes para os convencionais?
A diferença mais citada entre os dois tipos de pneus está na composição.
Enquanto os pneus convencionais são produzidos com negro de fumo, os pneus verdes substituem parte desse componente pela sílica, ou dióxido de silício — apresentada como um material mais sustentável e associada a menos emissões de poluentes.
Além disso, os pneus verdes geralmente possuem um desenho otimizado para melhor aderência e desgaste uniforme, o que pode prolongar sua vida útil e reduzir a frequência de substituições.
Por outro lado, os pneus convencionais, apesar de poderem ter um custo inicial mais baixo, tendem a não oferecer a mesma eficiência de economia de combustível ao longo do uso.
Só que, na hora de decidir a compra, a composição em si é o dado menos comparável. O que dá para comparar objetivamente entre dois modelos é como cada um se classifica nos três parâmetros medidos — resistência ao rolamento, aderência em pista molhada e ruído — e o que cada um custa por quilômetro rodado na sua operação.
Quando investir em pneus verdes nas frotas de caminhões?
O momento ideal para isso geralmente coincide com o aumento da consciência ambiental da empresa e a busca por operações de transporte mais sustentáveis.
Quando a economia a longo prazo é uma prioridade, como a redução nos custos com combustível e a diminuição da frequência de troca dos pneus, os pneus verdes podem se tornar uma escolha vantajosa.
A decisão de investir em pneus verdes deve ser baseada em uma análise cuidadosa do custo benefício, levando em conta o preço de aquisição e os benefícios de longo prazo — economia de combustível, durabilidade e impacto ambiental.
Um cuidado prático evita comparação injusta: teste o pneu novo na mesma aplicação em que o atual roda. Posição no veículo, tipo de rota, carga e calibragem mexem tanto no resultado quanto o modelo do pneu, e um piloto feito em condições diferentes não responde à pergunta que motivou a troca.
Qual o desempenho de um pneu verde?
Esses pneus são projetados para minimizar a resistência ao rolamento, o que pode se traduzir em economia de combustível. A aderência e a resposta em condições molhadas contribuem para uma dirigibilidade mais segura e confortável, e entram na etiqueta em escala própria, de A a F.
A sua composição com sílica e materiais ecológicos é apontada como um fator que aumenta a vida útil do pneu, o que reduziria a frequência de trocas e manteria o bom desempenho por mais tempo.
Muitos pneus verdes também apresentam uma performance sonora reduzida, contribuindo para uma condução mais silenciosa — e esse é o terceiro parâmetro que a ENCE classifica, o nível de pressão sonora.
Vale entender o limite dessa informação: a etiqueta compara pneus entre si nos parâmetros que ela mede. Ela não promete economia em reais para a sua rota, com a sua carga e o seu perfil de motorista.
Como avaliar os pneus verdes na sua frota?
Antes de adquirir os pneus, é importante verificar a compatibilidade deles com os tipos de veículos da frota e as condições de rodagem, garantindo que sejam adequados para as operações específicas.
Peça também a classificação declarada de cada modelo. Aqui existe uma condição que pega muita frota de surpresa: o Regulamento Consolidado para Pneus Novos (Portaria Inmetro nº 379/2021) determina que a ENCE esteja visível no ponto de venda, mas seu art. 7º torna a aposição da etiqueta opcional em pneus novos destinados a veículos comerciais e rebocados comercializados exclusivamente para frotistas — dispensa que, pelo parágrafo único do mesmo artigo, não vale para os pneus destinados à revenda no comércio varejista, em revendas autorizadas e em concessionárias. Ou seja: comprando direto como frota, você pode simplesmente não receber a etiqueta — e aí precisa pedir os números. O mesmo regulamento obriga o fornecedor a declarar o desempenho do pneu para veículos comerciais quanto a resistência ao rolamento, aderência em pista molhada e emissão sonora.
Após adquiri-los e usá-los, é preciso entender se o desempenho deles é satisfatório e se cumprem o que prometem.
Por exemplo: menor consumo de combustível, menos emissões de poluentes e maior durabilidade do ativo são três características marcantes atribuídas a esses pneus.
Por isso, para avaliar se os pneus verdes realmente fazem sentido para a sua frota e se estão gerando o impacto esperado, você pode começar analisando esses aspectos em comparação a outros tipos de pneus. Na prática, isso quer dizer acompanhar o custo por quilômetro de cada pneu, por marca e modelo, e comparar o consumo de veículos que rodam rotas equivalentes.
Lembre-se de considerar os benefícios ambientais, como a redução da emissão de CO2, que podem alinhar a operação da frota com objetivos de sustentabilidade e ESG.
E lembre que o ciclo ambiental do pneu não termina na compra. A Resolução CONAMA nº 416/2009 coloca sobre fabricantes e importadores de pneus novos com peso unitário superior a 2,0 kg a obrigação de coletar e dar destinação adequada aos pneus inservíveis, e obriga os estabelecimentos de comercialização a receber e armazenar temporariamente, sem ônus para o consumidor, os pneus usados entregues no ato da troca. A mesma resolução veda a disposição final de pneus no meio ambiente — abandono, lançamento em corpos de água, terrenos baldios ou alagadiços, disposição em aterros sanitários e queima a céu aberto — e também veda a destinação final de pneus usados que ainda se prestam a processos de reforma, segundo as normas técnicas em vigor. Para a frota, isso significa que descartar cedo um pneu recuperável não é só desperdício de ativo.
Quer otimizar a gestão de pneus da sua frota e entender melhor o desempenho e custo-benefício dos pneus verdes? Com o histórico de cada pneu atualizado a cada inspeção, dá para comparar CPK por marca e modelo e decidir com o dado da sua própria operação, em vez do argumento do catálogo.
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