Como garantir que a borracharia da sua frota funcione igual em qualquer turno

Conheça os processos da borracharia e veja como padronizar processos da borracharia da frota que funcionam em qualquer turno da operação.
Conheça como padronizar processos da borracharia da frota que funcionam em qualquer turno da operação.

Se dois borracheiros inspecionam o mesmo pneu e registram informações diferentes, o problema não está na leitura em si, mas sim na falta de padronizar processos da borracharia da frota.

E esse tipo de inconsistência não fica restrito à inspeção. Ele se repete na montagem, na calibragem, no registro de estoque, no critério de descarte. Quando cada pessoa faz do seu jeito, o resultado muda conforme o turno. E problemas de padronização se traduzem em retrabalho, perda de ativos, dados que não servem para análise e custos que poderiam ser evitados.

A borracharia interna é um dos setores mais operacionais de uma transportadora. Mas operacional não significa que pode funcionar no improviso. Pelo contrário: quanto mais repetitivo o processo, maior o ganho quando ele é padronizado.

Confira a seguir:

Por que a padronização operacional impacta diretamente nos resultados da borracharia?

Antes de entrar no “como”, vale dimensionar o que está em jogo. Uma borracharia sem processos padronizados não necessariamente para de funcionar. Ela continua trocando os pneus do caminhão, consertando furos e fazendo rodízios, o problema é que faz tudo isso de forma inconsistente.

Cada vez que um borracheiro monta um pneu sem seguir um procedimento definido de torque, a chance de retrabalho aumenta. Cada inspeção de sulco feita sem critério padronizado de registro gera um dado que não serve para análise (porque, se não tem padrão, como saber qual o parâmetro de comparação?). Cada movimentação de estoque que não passa pelo sistema cria um furo no inventário que só aparece na hora do balanço.

Esses pequenos desvios, isolados, parecem inofensivos. Acumulados ao longo de um mês, geram um cenário bem diferente: pneus perdidos prematuramente por montagem inadequada, decisões de compra baseadas em dados incompletos, retrabalho que consome horas da equipe e manutenções corretivas que poderiam ter sido preventivas.

A padronização de processos não é sobre burocratizar a borracharia. É sobre garantir que cada processo entregue o mesmo resultado, toda vez, com qualquer pessoa executando. É o que transforma a operação de dependente de pessoas para dependente de processos.

E uma operação que depende de processos gera dados confiáveis e garante escalabilidade. Uma que depende de pessoas oscila conforme o turno, a experiência e o humor de quem está no chão.

O impacto direto? Redução de retrabalho, menos perda prematura de pneus, estoque confiável, dados que permitem calcular CPK real, taxa de recapagem e índice de perda com precisão.

Em termos financeiros, operações que saem de um cenário desestruturado para um modelo padronizado costumam ver redução de 10% a 20% nos custos com pneus nos primeiros meses, simplesmente porque passam a enxergar o que antes não conseguiam.

Quais são os processos de uma borracharia dentro da frota?

Para padronizar, primeiro você precisa ter clareza sobre o que precisa ser padronizado. Numa borracharia interna de frota rodoviária, os processos principais são:

Recebimento e conferência de pneus

Todo pneu que entra na borracharia, seja novo, reformado ou devolvido de veículo, precisa ser conferido, identificado e registrado. Isso inclui verificar marca, modelo, dimensão, DOT (data de fabricação), número de fogo e estado geral. Pneu que entra sem registro é pneu que desaparece do controle.

Armazenamento e gestão de estoque

É preciso saber onde o pneu fica guardado, em que condição e por quanto tempo. A separação entre novos, reformados e aguardando descarte deve ser física e identificada.

O critério FIFO (first in, first out) é um método típico de organização de estoque e evita que pneus fiquem parados além do recomendado, degradando a borracha sem uso. A gestão de estoque também envolve o controle de insumos: câmaras, protetores, patches, válvulas e materiais de reparo.

Inspeção e aferição de pneus

Nesse processo, são realizadas a medição de profundidade de sulco, verificação de danos visuais (cortes, hérnias, desgaste irregular) e aferição de calibragem. Isso alimenta diretamente a tomada de decisão: o pneu continua rodando, vai para rodízio, segue para reforma ou é descartado? A qualidade da inspeção define a qualidade da decisão.

Montagem e desmontagem

Retirada e instalação de pneus nos veículos, incluindo o uso de torquímetro para aperto dos parafusos, verificação de compatibilidade pneu-roda e checagem de componentes (válvulas, câmaras, protetores). Erros nessa etapa geram retrabalho imediato ou, pior, falhas na operação.

Calibragem dos pneus

Os ajustes de pressão dos pneus devem ser realizados conforme especificação do fabricante e tipo de operação. Além disso, a calibragem precisa ser feita com manômetro aferido e registrada.

A pressão inadequada (tanto acima quanto abaixo) compromete a vida útil do pneu, aumenta o consumo de combustível e eleva o risco de falha.

Rodízio de pneus

A troca de posição dos pneus entre eixos é feita para equalizar o desgaste. Ela deve seguir um plano definido (não acontecer apenas “quando sobra tempo”) e respeitar intervalos pré-determinados, geralmente entre 30 e 40 mil km ou a cada 6 meses.

Reparo e vulcanização

O conserto de furos e danos reparáveis exige avaliação criteriosa, pois nem todo dano é reparável, e consertar um pneu que deveria ser descartado compromete a segurança. O processo precisa de critérios claros de aceitação e rejeição.

Envio para reforma (recapagem)

A decisão de quando a carcaça vai para recapagem é crítica. Enviar cedo demais desperdiça vida útil, mas enviar tarde demais compromete a carcaça. Então, é preciso ter critérios objetivos de profundidade mínima de sulco e estado da carcaça, além de controle de quantas recapagens cada pneu já recebeu.

Se você tiver um controle de pneus adequado e sistematizado, baseado em dados, você consegue identificar a profundidade mais adequado para o melhor proveito da vida útil dos pneus da sua frota.

Descarte de pneus inservíveis

Pneus que não podem mais ser utilizados ou reformados precisam ser descartados corretamente, com registro e destinação adequada. Além de ser uma obrigação legal e ambiental, o controle do descarte fecha o ciclo de vida do ativo e permite calcular indicadores reais de aproveitamento.

Registro e alimentação do sistema

Todos os processos acima precisam gerar dados. Mas, como um bom gestor de frotas, você quer analisar mais dados do que registrá-los, imagino.

Cada movimentação do pneu deve ser registrada no sistema de gestão de pneus da frota. Sem registro, não existe rastreabilidade e, sem rastreabilidade, cada decisão é baseada em suposição.

Como padronizar processos da borracharia da frota?

Agora que os processos estão mapeados, a questão é: como garantir que eles aconteçam sempre da mesma forma? Esses são os passos recomendados pelos especialistas aqui da Prolog:

Crie POPs (Procedimentos Operacionais Padrão) para cada processo

Cada um dos processos listados acima deve ter um Procedimentos Operacionais Padrão (POP) documentado. E não, não precisa ser um manual de 50 páginas.

O mais importante é que ele seja objetivo, indicando o que fazer, como fazer, com que ferramentas, em que sequência e o que registrar ao final.

Um POP de montagem de pneu, por exemplo, pode incluir: verificação de compatibilidade pneu-roda, inspeção visual da roda, aplicação de lubrificante, montagem com equipamento adequado, aperto com torquímetro no valor especificado e registro no sistema com identificação do pneu e do veículo.

Este documento pode ficar fixado no posto de trabalho, estar disponível digitalmente ou integrado ao sistema que a equipe já usa. Documento que fica na gaveta do escritório não padroniza nada.

Defina responsáveis claros para cada etapa

Processo sem dono é processo que ninguém cumpre. Para cada atividade, precisa estar claro quem executa, quem confere e quem responde pelo resultado.

Quem faz a inspeção de sulco? Quem decide se o pneu vai para recapagem ou descarte? Quem atualiza o estoque no sistema? Se a resposta para qualquer uma dessas perguntas for “depende”, você tem uma brecha que vai gerar inconsistência.

Isso não significa engessar a equipe. Significa que, independentemente de quem esteja no turno, as responsabilidades estão definidas e não existe margem de dúvida sobre o que precisa ser feito.

Estabeleça os critérios de decisão

Boa parte do retrabalho e das perdas numa borracharia acontece por decisões subjetivas. O borracheiro “A” acha que o pneu ainda aguenta mais um ciclo, o borracheiro “B” discorda. Sem critério objetivo, a decisão varia conforme a experiência, o feeling ou a pressa do momento.

Estabeleça parâmetros claros e documentados: profundidade mínima de sulco para manter em operação, para enviar para recapagem e para descartar. Critérios visuais de reprovação (hérnias, cortes na carcaça, deformações). Pressão-alvo por tipo de eixo e operação.

Quando o critério está definido, a decisão sai do campo de experiência pessoal e vai para o campo técnico. E a decisão técnica é consistente.

Implante checklists de execução e conferência

O checklist é a ferramenta mais simples e mais eficaz para garantir padronização. Ele funciona como uma trava, já que antes de concluir um serviço, o operador confirma que cada etapa foi cumprida.

Um checklist de montagem pode incluir itens como compatibilidade verificada, roda inspecionada, válvula trocada, torque aplicado, calibragem conferida e registro feito no sistema. Parece básico, mas a quantidade de retrabalho que uma lista simples dessas evita é significativa.

Se possível, utilize checklists digitais integrados ao sistema de gestão. Isso elimina papel, reduz erros de registro e gera rastreabilidade automática sobre quem executou, quando e o que foi verificado.

Estruture rotinas fixas com frequência definida

Processos que não têm frequência definida acontecem quando alguém lembra. E “quando alguém lembra”, isso não caracteriza gestão.

Defina o calendário operacional da borracharia: calibragem semanal, inspeção de sulco a cada 15 dias, rodízio a cada 30-40 mil km, inventário de estoque mensal. Vincule essas rotinas ao planejamento de manutenção da frota para que os pneus sejam verificados dentro das janelas programadas, sem gerar paradas extras.

A rotina fixa faz com que a operação funcione no ritmo do processo, e não no ritmo da urgência.

Treine e recicle a equipe com frequência

O POP existe, os critérios estão definidos, os checklists estão prontos. Porém, você precisa entender que nada disso funciona se a equipe não souber usar ou não entender por que importa.

Treinamento não é um evento único na contratação. A cada novo procedimento, a cada atualização de critério, a cada incidente que revele uma falha de execução, todos são momentos para realizar novos treinamentos e capacitações.

Os DDS (Diálogos Diários de Segurança) focados em borracharia são uma forma prática de reforçar procedimentos sem parar a operação.

E é importante treinar o porquê, não só o como. Quando o borracheiro entende que uma calibragem incorreta pode reduzir a vida útil do pneu em até 25%, ele calibra diferente. Quando sabe que uma montagem sem torque correto gera risco de acidente, ele confere duas vezes.

Use tecnologia para sustentar o padrão

A padronização manual funciona até certo ponto, geralmente em frotas de até 20 ou, no máximo, 30 veículos (e mesmo nesse caso, já estamos falando de mais de 100 pneus ativos). A partir de determinado volume de frota e serviços, a tecnologia deixa de ser diferencial e passa a ser necessidade.

Sistemas de gestão de pneus que registram automaticamente cada movimentação, aferidores eletrônicos que eliminam erros de leitura, checklists digitais que travam a conclusão do serviço se uma etapa obrigatória não foi cumprida. Tudo isso sustenta o padrão com menos esforço e mais confiabilidade.

A tecnologia não substitui o processo. Ela garante que ele seja cumprido. E, mais do que isso, transforma cada execução em dados que alimentam indicadores, revelam desvios e sustentam decisões de melhoria contínua.

A padronização da borracharia não é um projeto com início, meio e fim. É um modelo de operação. Cada pneu que cumpre o ciclo completo sem perda prematura, cada recapagem a mais que você consegue extrair e cada decisão de compra baseada em CPK real: tudo isso nasce de processos que funcionam com consistência.

Quer ver como a tecnologia pode sustentar essa padronização na prática? Agende uma demonstração com o nosso time e conheça como a Prolog estrutura a gestão de pneus de ponta a ponta.

Autor

Diego Paludo

Especialista em pneus, com mais de 27 anos de experiência no setor, e hoje ministra treinamentos, palestras e consultorias. Além disso, conduz eventos em todo o Brasil, mostrando como as empresas podem alavancar os resultados através de uma gestão de pneus econômica e eficiente.

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