Todo mês de junho, ocorre no Brasil a campanha Junho Verde, uma iniciativa nacional de conscientização ambiental instituída pela Lei 14.393/2022 e integrada à Política Nacional de Educação Ambiental.
Esse mês foi escolhido por acontecer o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho.
Para quem opera frota de transporte rodoviário de cargas, o Junho Verde não é apenas uma data no calendário. É uma oportunidade de avaliar o que a operação já faz em relação à sustentabilidade, o que deveria fazer por obrigação legal e o que pode fazer sem precisar reinventar tudo.
Confira agora:
- O impacto ambiental do transporte rodoviário de cargas
- As obrigações legais das transportadoras
- O que uma transportadora pode fazer sem reinventar a operação
- O papel dos dados na sustentabilidade da frota
- Junho Verde como ponto de partida
O impacto ambiental do transporte rodoviário de cargas
No Brasil, o transporte rodoviário é responsável por quase 64% da movimentação de cargas no Brasil e essa concentração em um modal de veículos de alta emissão possui um impacto direto no meio ambiente.
Segundo o Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários, divulgado em dezembro de 2025 com dados de 2024, o transporte rodoviário brasileiro emitiu cerca de 270 milhões de toneladas de CO2 no período.
Dentro disso, o impacto ambiental dos caminhões responde por aproximadamente 40% dessas emissões, apesar de representarem apenas 6% da frota circulante no país.
No transporte de cargas, especificamente, caminhões semipesados e pesados concentram a maior parcela das emissões do setor.
Não há dúvidas de que o transporte rodoviário de cargas é essencial para a economia brasileira e vai continuar sendo por um bom tempo. Mas, é preciso entender como operar com mais eficiência ambiental dentro dessa realidade, reduzindo o que é possível reduzir com as ferramentas e os processos que já existem.
As obrigações legais das transportadoras
Antes de falar sobre boas práticas, vale lembrar que parte da agenda ambiental das transportadoras não é opcional, já tendo se tornado uma obrigação legal.
Uma das principais normas ambientais para o transporte rodoviário é a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) que estabelece a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.
No caso dos pneus, a Resolução CONAMA 416/2009 define que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes são responsáveis pela coleta e destinação ambientalmente adequada dos pneus inservíveis.
Na prática, isso significa que uma transportadora que descarta pneus de forma inadequada (sem registro, sem destinação comprovada e sem rastreabilidade) está exposta a sanções ambientais.
Além dos pneus, as transportadoras também precisam observar obrigações relacionadas ao controle de emissões (testes de opacidade), gestão de resíduos de oficina (óleos lubrificantes, filtros, materiais contaminados) e, dependendo do tipo de carga, planos de emergência ambiental.
O que uma transportadora pode fazer sem reinventar a operação
A sustentabilidade no transporte não precisa começar com troca de frota para veículos elétricos ou investimentos em créditos de carbono. Apesar de serem estratégias válidas para quem já tem uma base estruturada, não é o ponto onde se encontra a maioria das operações.
Por isso, existem ações concretas que geram impacto ambiental positivo aproveitando o que a operação já tem. Algumas áreas para isso são:
Gestão adequada de pneus
Pneus bem geridos duram mais, recapam mais e geram menos descarte. Uma gestão que acompanha o desgaste, programa a troca no momento certo e envia carcaças para recapagem antes de comprometer o aproveitamento está, na prática, reduzindo o volume de resíduos sólidos da operação.
Afinal, cada pneu que completa o ciclo de recapagem é um pneu novo que deixou de ser fabricado, consumindo matéria-prima e energia. Além disso, cada descarte com motivo registrado e destinação comprovada é conformidade ambiental documentada.
Calibragem como ferramenta de eficiência energética
Dentro da gestão de pneus, também está o controle de calibragem dos pneus. Esta ação pode representar uma economia de até 3% no consumo de diesel. Em uma frota de dezenas ou centenas de veículos, esse percentual se traduz em menos combustível queimado e, consequentemente, menos emissões poluentes.
A boa notícia é que manter os pneus na pressão adequada é uma das ações de sustentabilidade mais acessíveis e com retorno mais imediato para uma transportadora.
Manutenção preventiva e redução de emissões
De modo geral, os veículos com manutenção em dia emitem menos poluentes. Isso porque fatores como motores desregulados, filtros saturados e sistemas de escape comprometidos aumentam a emissão de gases e partículas.
Por isso, a manutenção preventiva estruturada, com calendário definido e ordens de serviço registradas, mantém a frota operando dentro dos parâmetros ambientais.
Checklist eletrônico e a economia de papel
As operações que ainda fazem inspeção de veículos em formulários impressos consomem volumes significativos de papel todos os meses. Especialmente quando a frota é grande e a frequência de inspeção é diária.
Dessa forma, a substituição do papel pelo checklist eletrônico elimina esse consumo de forma imediata, sem alterar a rotina de inspeção em si.
A Avilan Transportes, por exemplo, eliminou mais de 2 toneladas de papel por mês que antes eram consumidas em formulários de inspeção impressos. Isso, ao adotar o Checklist Eletrônico Prolog.
O papel dos dados na sustentabilidade da frota
Uma operação que registra movimentação de pneus, acompanha taxas de descarte, monitora consumo de combustível e documenta manutenções tem, na prática, uma base de dados ambiental, mesmo que nunca tenha pensado nisso nesses termos.
A partir disso, torna-se possível medir o impacto das ações sustentáveis na frota. Por exemplo: quantos pneus foram descartados e por qual motivo e quantas carcaças foram aproveitadas via recapagem. Mais que isso, qual a evolução do consumo de combustível por veículo e quantas toneladas de papel foram eliminadas com a digitalização de processos.
Para empresas que precisam ou querem reportar práticas ESG, essa base de dados é o que sustenta o discurso com evidências. E para quem participa de iniciativas como o Desafio Junho Verde da FETCEMG (que na edição 2026 convida transportadoras a compartilharem cases de boas práticas alinhados à agenda ESG) ter dados estruturados é o que transforma uma boa prática em um case documentável.
Junho Verde como ponto de partida
O Junho Verde não precisa ser apenas um mês de campanhas e palestras internas. Pode ser o momento em que a operação faz um diagnóstico honesto: o que já fazemos que contribui para a sustentabilidade no transporte? A obrigação legal de sustentabilidade está em dia? O que poderíamos melhorar com ajustes em processos que já existem?
Muitas das ações sustentáveis na frota que geram resultado real não exigem orçamento adicional. Exigem processo, registro e acompanhamento, coisas que uma gestão de frotas bem estruturada já deveria ter.
Sua operação já usa um sistema de gestão de pneus, faz checklist eletrônico e acompanha indicadores de manutenção? Então boa parte da base de sustentabilidade já está construída. O próximo passo é olhar para esses dados com a “lente ambiental”. Dessa forma, você consegue perceber que eficiência operacional e responsabilidade ambiental, na maioria dos casos, andam juntas.
De modo geral, o caminho para uma gestão de frotas sustentável é progressivo. E junho é um mês tão bom quanto qualquer outro para dar o primeiro passo, ou mesmo para reconhecer os que já foram dados.
Quer estruturar a sustentabilidade na sua gestão de frotas? Baixe grátis o Guia da Gestão de Frotas Sustentável!