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Sustentabilidade no transporte

O que é a sustentabilidade no transporte?

Luiz Felipe Luiz Felipe 8 min de leitura
O que é a sustentabilidade no transporte?

Embora pareça contraintuitivo falar sobre a sustentabilidade no transporte, trata-se de uma medida essencial atualmente.

O transporte, principalmente rodoviário, é um dos maiores contribuintes à poluição e à exploração de recursos naturais. Segundo o Balanço Energético Nacional 2026 (ano-base 2025), publicado pela EPE, o setor de transportes respondeu por 34,0% do consumo final de energia no país em 2025, a maior participação entre todos os setores, e concentrou a maior parte das emissões antrópicas associadas à matriz energética brasileira naquele ano: 220,8 das 442,3 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. Por esse motivo, e com os acordos sendo criados a nível mundial para cessar os danos à natureza, falar sobre sustentabilidade se tornou fundamental.

Como ela funciona dentro do transporte e quais são as medidas necessárias para aplicar na gestão de frotas e operações de transporte, é algo que você pode conferir a seguir. Veja mais sobre:

O que é sustentabilidade no transporte?

A sustentabilidade no transporte é uma prática que visa reduzir — e, onde for possível, eliminar — as ações prejudiciais ao meio ambiente nas empresas que trabalham com operações de veículos.

A queima de combustíveis, por exemplo, que gera gases nocivos na atmosfera, é um dos maiores desafios enfrentados. Ainda mais quando falamos de veículos pesados, movidos a diesel.

A própria exploração de petróleo para gerar gasolina e diesel é outro problema que o transporte gera.

Nesses casos, as soluções buscadas partem de dois lados: da fabricação dos automóveis e da produção de combustíveis menos poluentes. Esse segundo lado tem número recente: o teor de biodiesel misturado ao diesel mineral subiu para 15% (B15) em agosto de 2025, e o setor de transportes fechou 2025 com 26,1% de renovabilidade, conforme o mesmo Balanço Energético Nacional. É uma mudança que chega à frota sem troca de veículo — e que não substitui o que a operação faz com os veículos que já tem.

Por que a sustentabilidade no transporte é importante?

A importância de promover um transporte sustentável está em garantir que nossos recursos não acabem e em reduzir a exposição da população à poluição do ar, associada a problemas respiratórios como asma e alergias e a irritações nos olhos.

Assim como cada país faz acordos e compromissos para tomar atitudes mais favoráveis à redução de impactos ambientais, conforme identificação das ações mais prejudiciais em cada local, cada setor que move a economia precisa realizar a sua parte.

No caso do transporte, a atenção maior está em questões como a queima de combustíveis e descarte de pneus. Além disso, a mobilidade urbana é afetada pelo tráfego das frotas em vias locais, algo que também faz parte das estratégias de sustentabilidade.

Convém separar dois problemas ambientais que costumam ser confundidos. A recuperação da camada de ozônio — tema de projeções noticiadas em 2023 — decorre da eliminação de substâncias destruidoras do ozônio sob o Protocolo de Montreal, firmado em 1987, e não das emissões de gases de efeito estufa do transporte. Segundo a ONU, mantidas as políticas atuais, espera-se que a camada volte aos valores de 1980 por volta de 2040 no resto do mundo, até 2045 no Ártico e até 2066 na Antártida.

O que a operação de transporte controla é a outra frente: consumo de combustível, emissão de poluentes locais e destinação dos resíduos que a manutenção gera. É nesse recorte que as ações sustentáveis da frota produzem diferença mensurável — e por isso vale tratá-las como rotina, com indicador e responsável, e não como campanha pontual.

De maneira geral, você deve tornar a empresa mais sustentável porque ela promove benefícios como:

Reduz a poluição atmosférica e sonora

Utilizar veículos menos poluentes, como os mais modernos ou até os elétricos, é uma alternativa que traz grande impacto na sustentabilidade.

Com os modelos mais econômicos, o que acontece é a queima dos combustíveis de maneira mais eficiente e um melhor aproveitamento ao longo das rotas. Nos elétricos, não há emissão pelo escapamento e o ruído é menor. Vale a ressalva de que a pegada ambiental do veículo elétrico não é nula: ela se desloca para a geração da eletricidade e para a fabricação das baterias, etapas que seguem consumindo recursos naturais.

A eletrificação também é desigual entre os tipos de veículo. O Balanço Energético Nacional 2026 registra 396,8 mil licenciamentos acumulados de veículos eletrificados no Brasil até 2025 e um consumo de 745 GWh de eletricidade no transporte rodoviário naquele ano, com os automóveis respondendo por mais de 90% do total de veículos. Para frota de caminhão e de ônibus, portanto, o caminho de curto prazo ainda passa mais por eficiência, manutenção e combustível do que por troca do ativo.

Traz maior organização aos processos do transporte

Em momentos como a manutenção dos veículos, é preciso ter um controle preciso para identificar se estão gastando mais combustível do que deveriam ou se estão com algum vazamento de óleo — outro problema de alto impacto ao ambiente.

Por isso, implementar a sustentabilidade no transporte também tem o benefício de gerar processos mais organizados na operação de transporte. Consumo por veículo, intervalo entre trocas e destino dos resíduos só viram indicador quando alguém registra cada evento; sem esse registro, o ganho ambiental fica no campo da percepção.

Conscientiza colaboradores sobre ações sustentáveis

As causas ambientais são um assunto que deve ser abordado no dia a dia da frota para que todos tomem consciência de quais ações podem preservar o meio ambiente.

Conforme se adequam às rotinas, os colaboradores podem até trazer novas ideias de ações a serem realizadas dentro de seus setores no transporte. Motorista e mecânico costumam ser os primeiros a perceber o pneu fora de calibragem, o filtro saturado e o vazamento — quase sempre antes de qualquer relatório.

Incentiva o desenvolvimento da sustentabilidade em outras áreas do mercado

Isso acontece por dois motivos: primeiro, as áreas correlacionadas ao transporte começam a ser incentivadas pelas ações sustentáveis e tentam se adequar para atender às novas medidas propostas.

Segundo, porque, se um setor de peso ambiental como o transporte consegue diminuir seu impacto, outros setores também podem ter sua participação. Em cadeias grandes, esse efeito pode chegar por contrato, quando o embarcador passa a pedir informações ambientais de quem transporta a sua carga.

Como contribuir para a sustentabilidade no transporte?

Utilizar os produtos corretos

Escolher produtos como óleos, lubrificantes e combustíveis apropriados ao seu veículo é fundamental para que ele funcione adequadamente.

Além disso, o Arla 32 é outro elemento ao qual você deve estar atento e utilizar corretamente nas frotas de caminhões. Segundo o Ibama, trata-se de uma solução transparente de ureia em água desmineralizada usada para controlar a emissão de óxidos de nitrogênio (NOx) no gás de escapamento dos veículos com motores a diesel, com concentração de ureia de 32,5% e especificação dada pela Instrução Normativa nº 23, de 11 de agosto de 2009. Ainda segundo o órgão, desde 2012 os veículos pesados produzidos no país contam com o sistema de redução catalítica (SCR), por força dos limites de emissão estabelecidos pela Resolução Conama nº 403/2008, sendo obrigatório o uso do agente redutor.

Seguir o calendário de manutenções

Seguir uma rotina de manutenção preventiva é a melhor maneira de identificar quando um problema está começando e já tomar as medidas certas.

Do ponto de vista ambiental, os itens que mais rendem são os que afetam consumo e emissão: calibragem e alinhamento, filtros de ar e de combustível, sistema de injeção e o pós-tratamento do escapamento — que, defeituoso, faz o veículo voltar a emitir aquilo que o projeto previa evitar, ainda que ele continue rodando normalmente.

Fazer o descarte correto de produtos

Os materiais utilizados para contribuir com a sustentabilidade no transporte citados acima também precisam de um descarte sustentável. Até mesmo as embalagens precisam de um descarte específico, pois estão contaminadas com os líquidos.

Se jogadas em lixos comuns, podem contaminar também o solo e a água, gerando problemas na fertilidade do solo e até problemas à saúde. Dois dos resíduos mais comuns da manutenção têm norma federal específica para consultar: a Resolução Conama nº 362, de 23 de junho de 2005, estabelece que todo óleo lubrificante usado ou contaminado seja recolhido, coletado e tenha destinação final de modo que não afete negativamente o meio ambiente e propicie a máxima recuperação dos seus constituintes; e a Resolução Conama nº 416, de 30 de setembro de 2009, veda a disposição final de pneus no meio ambiente, incluindo o abandono, o lançamento em terrenos baldios, a disposição em aterros sanitários e a queima a céu aberto.

Praticar a direção defensiva e ecológica

As práticas de direção defensiva incluem manter velocidade estável ao longo de um trajeto, não acelerar ou frear bruscamente, respeitar as sinalizações e placas de trânsito, dirigir bem descansado e sem uso de medicação e assim por diante.

Dirigir de maneira ecológica passa por muitas das mesmas ações, mas o resultado mais importante gerado é a redução na utilização de combustível e a geração de menos gases poluentes na atmosfera.

O ganho, porém, depende de repetição: sem acompanhamento e sem retorno para quem dirige, o hábito antigo tende a voltar, e um treinamento isolado costuma render menos que uma conversa curta e periódica sobre o consumo de cada rota.

Otimizar as rotas utilizadas

Dirigir de maneira ecológica também precisa da ajuda do gestor da frota na hora de planejar as rotas da operação. Você deve buscar caminhos que tenham menos paradas na estrada, evitando semáforos, esquinas e curvas.

Optar pelo caminho mais curto é a saída em muitos casos, mas tome cuidado com essas questões mencionadas acima, pois elas tornam a sua frota menos produtiva e menos ecológica. Vale medir antes de decidir: uma rota mais curta com trânsito parado pode consumir mais combustível do que uma rota mais longa percorrida em velocidade constante.

Continue conhecendo outras ações para transformar as suas operações e colaborar com a sustentabilidade no transporte.

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