Como identificar e enfrentar os principais riscos nas operações de transporte
A gestão de frotas envolve muitos desafios, sendo a identificação e a prevenção dos principais riscos da frota um dos mais marcantes.
Acidentes, roubos de cargas e falhas mecânicas são apenas o começo dos riscos que podem impactar negativamente uma operação de transporte. Por isso, é fundamental reconhecer todas (ou a maioria) das possibilidades de riscos que a sua frota pode enfrentar.
Com isso, fica mais fácil se preparar e ter planos de prevenção e contenção eficazes.
Confira a seguir:
- Quais são os principais riscos da frota
- Quais impactos esses riscos podem causar
- Como se prevenir e preparar para enfrentar os principais riscos da frota
Quais são os principais riscos da frota?
Acidentes de trânsito
Acidentes de trânsito representam um dos maiores riscos para qualquer frota. Eles podem ocorrer devido a vários fatores, incluindo condições adversas da estrada, erro humano, falhas mecânicas e até mesmo negligência.
Além dos custos diretos, como reparos de veículos e despesas médicas, os acidentes podem resultar em impactos indiretos, como aumento dos valores de seguro, perda de confiança dos clientes e interrupção das operações.
Um detalhe que muda a forma de tratar esse risco: acidente raramente tem causa única. Costuma ser a soma de um fator do veículo, um fator da via e um fator humano no mesmo momento. Por isso, registrar o que aconteceu com algum detalhe — hora, trecho, condição da pista, estado do componente envolvido — vale mais do que contabilizar apenas o número de ocorrências.
Roubos do veículo e carga
Os roubos são um risco principalmente em áreas com altas taxas de criminalidade ou em rotas de transporte de alto valor.
A resposta usual do setor combina escolha e planejamento de rota, dispositivos de bloqueio e os serviços de rastreamento e monitoramento oferecidos por empresas especializadas nesse tipo de tecnologia e por gerenciadoras de risco. Idealmente, você deve realizar o treinamento de motoristas para situações de risco e criar parcerias com autoridades locais de segurança.
Falhas mecânicas
Falhas mecânicas são inevitáveis ao longo da vida útil de uma frota, mas sua frequência e gravidade podem ser reduzidas com uma manutenção preventiva adequada.
As consequências de falhas no motor, nos freios ou outros componentes críticos podem ir de acidentes, atrasos nas entregas e até custos elevados de reparo. E isso pode ser evitado com uma rotina de manutenção preventiva e inspeções detalhadas.
Há também um efeito regulatório pouco lembrado: o Código de Trânsito Brasileiro classifica como infração conduzir o veículo “em mau estado de conservação, comprometendo a segurança, ou reprovado na avaliação de inspeção de segurança e de emissão de poluentes e ruído” (art. 230, inciso XVIII). Nessa hipótese, o Código prevê infração grave, penalidade de multa e, como medida administrativa, a retenção do veículo para regularização — ou seja, o veículo mal conservado deixa de ser só um risco de quebra e passa a ser um risco de parada na fiscalização.
Multas de trânsito
Multas de trânsito, resultantes de infrações como excesso de velocidade, estacionamento irregular e violação de sinalizações, representam um risco financeiro e operacional para as frotas.
Elas geram custos diretos à operação e ainda podem prejudicar a reputação da empresa.
O risco maior, porém, é o acúmulo de pontos. O CTB prevê a suspensão do direito de dirigir quando o condutor atinge, em 12 meses, 20 pontos com duas ou mais infrações gravíssimas na pontuação, 30 pontos com uma infração gravíssima, ou 40 pontos sem nenhuma gravíssima (art. 261, inciso I). Para o condutor que exerce atividade remunerada ao veículo, o § 5º do mesmo artigo estabelece que a suspensão se dá ao atingir o limite de 40 pontos, independentemente da natureza das infrações cometidas, facultado a ele participar de curso preventivo de reciclagem sempre que, no período de 12 meses, atingir 30 pontos, conforme regulamentação do Contran.
Implementar programas de treinamento contínuo para os motoristas, acompanhar o comportamento de direção e estabelecer políticas rigorosas de conformidade com as leis de trânsito são medidas essenciais para reduzir a incidência de multas. Vale também manter um processo claro de gestão das multas recebidas, com identificação do condutor e prazos de defesa controlados: notificação que fica parada na mesa é prazo de defesa perdido.
Quais impactos esses riscos podem causar?
Cada um dos principais riscos da frota pode gerar diferentes impactos.
Os acidentes, por exemplo, geram custos elevados associados a reparos, despesas médicas e interrupção das operações. Por vezes, pode haver a perda da carga ou mesmo uma perda total do veículo.
Já os roubos podem comprometer a capacidade de atender aos prazos de entrega e comprometer contratos com os clientes. Também pode impactar a confiança dos motoristas, que podem se sentir inseguros e tentar evitar determinadas rotas.
A quebra de componentes dos caminhões pode comprometer a segurança dos motoristas e causar acidentes graves, assim como pode haver a necessidade de desviar recursos de outras áreas e aumentar a pressão sobre a equipe de manutenção.
As multas de trânsito também geram custos adicionais que afetam o orçamento da frota. Mas, como visto acima, há ainda a possibilidade da suspensão do direito de dirigir dos motoristas ao atingir o limite de pontos, o que pode causar a falta de motoristas qualificados e aumentar a rotatividade da equipe.
Vale reparar que esses riscos não são compartimentos separados. Uma falha mecânica pode virar acidente; o acidente vira atraso; e a pressão para recuperar o tempo perdido pode aparecer depois como infração. Por isso, ao priorizar onde agir, ajuda perguntar qual desses elos costuma disparar os demais na sua operação.
Como se prevenir e se preparar para enfrentar os principais riscos da frota?
Avaliação e preparo prévio
A avaliação e o preparo prévio são fundamentais para identificar os riscos específicos que podem afetar sua frota. Aqui, significa realizar uma análise detalhada dos dados históricos de operação, incluindo tudo aquilo que possa representar um risco.
Com essas informações, é possível mapear as áreas de maior risco e desenvolver planos de ação específicos para cada cenário.
O preparo prévio também inclui a criação de planos de contingência para situações emergenciais, garantindo que a equipe saiba exatamente como agir em caso de imprevistos. Um plano de contingência que ninguém leu não funciona no dia do problema: vale definir quem aciona quem, em que ordem, e testar isso pelo menos uma vez.
Implementação de políticas de segurança
Estabelecer e implementar políticas de segurança claras é essencial para garantir que todos os membros da equipe sigam procedimentos padronizados e que visam reduzir os riscos.
Essas políticas devem abranger, por exemplo, aspectos como a manutenção regular dos veículos, o uso do cinto de segurança, os limites de velocidade, e as práticas seguras de carregamento e descarregamento de cargas. Sobre o cinto, o CTB é direto: o art. 65 estabelece que seu uso é obrigatório para condutor e passageiros em todas as vias do território nacional, salvo em situações regulamentadas pelo Contran.
É preciso antes avaliar os cenários para poder identificar todas as soluções mais adequadas.
Políticas de zero tolerância para o uso de substâncias proibidas e a adoção de práticas de direção defensiva também devem ser implementadas. Nesse ponto, a política interna se apoia em regra legal: dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência é infração gravíssima, com penalidade de multa (dez vezes) e suspensão do direito de dirigir por 12 meses (art. 165 do CTB). E os condutores das categorias C, D e E precisam comprovar resultado negativo em exame toxicológico para a obtenção e a renovação da CNH; os que têm menos de 70 anos são submetidos a novo exame a cada período de dois anos e seis meses, a partir da obtenção ou renovação da habilitação, e o resultado positivo nesse exame periódico acarreta suspensão do direito de dirigir por três meses, condicionado o levantamento da suspensão à inclusão no Renach de resultado negativo em novo exame, vedada a aplicação de outras penalidades (art. 148-A do CTB).
Treinamento de motoristas
O treinamento contínuo dos motoristas é uma das medidas mais eficazes para prevenir riscos na frota. Programas de treinamento devem incluir técnicas de direção defensiva, procedimentos de segurança e atualizações sobre as leis de trânsito.
Ainda mais, é importante capacitar os motoristas para identificar e relatar problemas mecânicos e de segurança.
Motoristas bem treinados estão mais preparados para lidar com situações imprevistas, reduzindo a probabilidade de acidentes e infrações. Também ajuda tratar o treinamento como resposta a ocorrência real, montando a pauta a partir do que a frota registrou no período, em vez de repetir um conteúdo genérico todo ano.
Gerenciamento contínuo
O gerenciamento contínuo envolve acompanhar de perto o desempenho dos veículos e o comportamento dos motoristas. Para isso existem no mercado sistemas de telemetria, fornecidos por empresas especializadas nesse tipo de tecnologia, que registram dados de condução em tempo real; outra parte do acompanhamento vem das inspeções e dos apontamentos de oficina que a própria operação já faz.
Relatórios regulares de desempenho, revisões periódicas dos procedimentos de segurança e a análise de dados históricos permitem identificar padrões e tendências que podem indicar riscos emergentes.
Além disso, manter um canal aberto de comunicação com os motoristas e outras partes interessadas facilita a rápida identificação e resolução de problemas. Quem dirige costuma perceber o ruído estranho, o trecho perigoso e o procedimento inviável antes de qualquer relatório — e só reporta se a resposta ao aviso anterior tiver sido levada a sério.
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