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Gestão de frotas

O que você precisa saber para aumentar a segurança na gestão de frotas

Jade Zart Jade Zart 8 min de leitura
O que você precisa saber para aumentar a segurança na gestão de frotas

As frotas possuem muitas áreas que precisam ser controladas para um funcionamento adequado das suas operações. Uma das principais é a questão da segurança na gestão de frotas.

Isso pode incluir desde os cuidados necessários para evitar acidentes de trânsito e roubos de carga até a gestão de dados da operação. Todos esses diferentes “níveis” de gestão possuem significados diferentes para a segurança. Por isso, abordaremos a seguir:

Os diferentes aspectos de segurança na gestão de frotas

Pessoas e trânsito

Quando falamos de segurança em operações de transporte e frotas, a primeira coisa que se pensa é nos acidentes de trânsito. Nada mais natural, visto que são mesmo um dos principais riscos que empresas do setor encaram.

Proteger os motoristas e terceiros deve sempre ser uma prioridade dos gestores de frota, inclusive, através de uma implementação de cultura “acidente zero”. Para que isso se torne uma realidade, deve-se priorizar os treinamentos de condução defensiva e incentivar as boas práticas no trânsito.

Esse ponto de partida não é só cultural. O Código de Trânsito Brasileiro estabelece, no art. 28, que o condutor deverá, a todo momento, ter domínio de seu veículo, dirigindo-o com atenção e cuidados indispensáveis à segurança do trânsito. É esse dever geral que boa parte das boas práticas de direção defensiva procura traduzir em rotina.

Por isso, fazer uma boa gestão, controle de jornada e distribuição de rotas é fundamental para a segurança na gestão de frotas — o que mostra que o papel do gestor na prevenção de acidentes também é de grande importância.

Tratam-se de ações cruciais que preservam vidas.

Patrimônio

Quando falamos em segurança pelo aspecto patrimonial, estamos nos referindo à preservação da integridade e credibilidade da empresa. Qualquer ameaça nesse aspecto da segurança na gestão de frotas inclui ter seus bens materiais danificados, como os próprios veículos ou demais equipamentos de trabalho.

Assim, as ações realizadas são com a intenção de evitar roubos e danos materiais, assim como fraudes.

Vale separar os dois planos, porque eles não se resolvem com as mesmas medidas. Perda patrimonial costuma ser tratada com controle de acesso, conferência e contrato; risco a pessoas depende de como a operação dirige, mantém e inspeciona os veículos. Uma frota que acompanha apenas o prejuízo financeiro pode demorar a enxergar o segundo grupo, que aparece em outros registros — ocorrências, inspeções reprovadas, multas.

Áreas da gestão de frotas

Gestão de pneus

O momento da gestão de pneus em si não está atrelado a riscos, porém, caso esta etapa não seja cumprida adequadamente, os veículos ficam mais suscetíveis a acidentes. Isso porque os pneus afetam o desempenho, equilíbrio e distribuição de peso do veículo.

Aqui existe um limite objetivo e verificável. A Resolução CONTRAN nº 913/2022 proíbe, no art. 4º, a circulação de veículo automotor equipado com pneu cujo desgaste da banda de rodagem tenha atingido os indicadores, ou cuja profundidade remanescente da banda de rodagem seja inferior a 1,6 mm. O § 1º do mesmo artigo prevê que essa profundidade remanescente seja constatada visualmente por meio dos indicadores de desgaste — que, pelo art. 3º, devem vir colocados no fundo do desenho da banda de rodagem.

E chegar nesse limite tem consequência na fiscalização. O Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito do CONTRAN enquadra o veículo com pneu cujo desgaste atingiu os indicadores de profundidade (TWI), ou com profundidade remanescente inferior a 1,6 mm, na ficha 672-61 — art. 230, XVIII, do CTB —, classificada como infração grave, com multa e retenção do veículo para regularização. Repare em quem responde: a ficha aponta o proprietário como infrator, não o motorista. Em frota, isso cai na empresa.

Portanto, é preciso conhecer e aplicar todos os processos da gestão de pneus de forma correta para evitar que esses ativos cheguem ao ponto de desgaste que prejudica a realização das rotas com segurança. Na prática, isso quer dizer medir sulco a cada aferição e programar a troca ou a reforma antes do limite, e não no dia em que ele já foi atingido.

Gestão de manutenção

Diferente da gestão de pneus, os processos da gestão de manutenção podem apresentar riscos tanto nos serviços realizados ainda dentro da central da operação quanto na realização de rotas.

Quando serviços de manutenção são realizados, é preciso levantar veículos, montar e desmontar peças, mexer com mecânica e elétrica dos ativos, entre outras atividades que podem apresentar riscos aos mecânicos e motoristas.

Na realização de rotas, qualquer problema de manutenção que não foi identificado ou que foi encontrado mas negligenciado gera riscos para o motorista e o veículo — tema que já rendeu reportagem sobre acidentes atribuídos a falhas mecânicas em veículos.

Do lado da norma, o limite é explícito: conduzir veículo em mau estado de conservação, comprometendo a segurança, ou reprovado na avaliação de inspeção de segurança e de emissão de poluentes e ruído é infração prevista no art. 230, XVIII, do Código de Trânsito Brasileiro, classificada como grave, com multa e retenção do veículo para regularização.

Gestão de dados

Com o surgimento das tecnologias de gestão, a segurança da informação passou a ser um tópico na gestão de frotas. Tanto para proteger os dados da empresa, quanto de seus colaboradores, fornecedores e clientes.

Parte disso deixou de ser apenas boa vontade. A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018) determina, no art. 46, que os agentes de tratamento devem adotar medidas de segurança, técnicas e administrativas, aptas a proteger os dados pessoais de acessos não autorizados e de situações acidentais ou ilícitas de destruição, perda, alteração, comunicação ou qualquer forma de tratamento inadequado ou ilícito. A mesma lei define dado pessoal, no art. 5º, I, como “informação relacionada a pessoa natural identificada ou identificável”; cabe a cada operação verificar quais dos seus registros se enquadram nessa definição.

Por isso, ter ferramentas para a gestão de dados da empresa e investir em um setor de TI acaba sendo uma alternativa adotada por muitas empresas atuantes no setor do transporte.

Como aumentar a segurança na gestão de frotas?

Entender os riscos à segurança na gestão de frotas em seus diferentes aspectos é o primeiro passo, pois, a partir disso, você consegue identificar onde estão as falhas da sua operação.

Se avaliar que a principal ameaça às suas operações são os acidentes de trânsito, precisa dar prioridade para essa questão e planejar as ações que visam reduzir os índices de acidente da empresa.

Por exemplo, investindo na capacitação dos motoristas e revisando jornada e roteirização. O mercado também oferece, por meio de empresas especializadas nesse tipo de serviço, sistemas de monitoramento de frotas e de videotelemetria, contratados à parte pelas transportadoras. Como um bônus, essas alternativas contribuem, simultaneamente, para a segurança patrimonial da operação também.

Os roubos de carga são outro exemplo, pois esse tipo de situação costuma ser associado a empresas que fazem o transporte de produtos de alto valor agregado, como os eletrônicos ou os carros, mas pode acontecer em outras operações também.

Nesse caso, as soluções também passam por utilizar tecnologias de fornecedores especializados, dentre elas, a de monitoramento de frotas e a roteirização inteligente.

Essencialmente, para aumentar a segurança na gestão de frotas, você precisa identificar qual o seu principal problema e buscar as alternativas a partir dele. Adotar uma medida cara para um risco que quase não ocorre na sua operação consome orçamento sem reduzir o que de fato acontece.

Como identificar as ameaças à segurança na gestão de frotas?

Para saber se a sua operação está com a segurança comprometida, avalie os indicadores de desempenho e quantidade de ocorrências de risco.

Boa parte desse diagnóstico não depende de tecnologia nova. Ela sai de registros que a frota costuma já produzir e raramente lê em conjunto: os checklists de saída e chegada, as inspeções de pneus, os apontamentos de oficina e o histórico de multas e ocorrências. Ler essas fontes lado a lado é o que revela padrão — um mesmo veículo reprovando, um mesmo trecho concentrando ocorrências.

Mas, lembre-se: antes de enfrentar um risco e resolver um problema, é melhor estar prevenido e evitar que isto aconteça.

Caso a sua frota tenha um plano de gestão de riscos, esse é o seu ponto de partida. A partir dele, identifique quais ações de prevenção você pode utilizar para prevenir que os riscos se tornem um problema real.

Por outro lado, se ainda não possui esse plano, comece por aí: identifique todos os riscos que uma operação de transporte pode enfrentar e classifique a probabilidade de eles acontecerem na sua frota.

Dessa forma, saberá onde priorizar os seus esforços de contenção e prevenção do perigo. Um critério simples para ordenar a fila é cruzar probabilidade com gravidade: o que for provável e grave entra primeiro; o que for raro e de baixo impacto pode esperar a próxima revisão do plano.

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