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Gestão de pneus

Glossário de pneus: 22 termos do dia a dia da frota

Luiz Felipe Luiz Felipe 12 min de leitura
Glossário de pneus: 22 termos do dia a dia da frota

A gestão de pneus é uma parte fundamental na rotina das operações de transportes e entender tudo sobre esse ativo é um dever do gestor de pneus, e claro, do gestor de frotas.

Para quem já atua na área, às vezes pode acabar esquecendo o que algum termo significa. Agora, imagina para quem está começando, é muita coisa para memorizar, concorda?

Algo que pode facilitar o dia a dia é ter um glossário dos termos mais usados quando o assunto é pneus. O conteúdo pode se tornar uma ferramenta de consulta para todos da operação. Confira:

Aderência dos pneus

De forma geral, a aderência dos pneus está relacionada à capacidade máxima de tração que eles geram e aguentam nas estradas, em momento de acelerações, travas ou curvas. 

Ou seja, trata-se do atrito gerado quando estão em movimento.

Cada marca e modelo de pneu possui diferentes características em sua estrutura e composição, até mesmo pela qualidade dos materiais utilizados na fabricação. Estes são todos fatores que influenciam na aderência dos ativos.

Além destes, a profundidade e desenho dos sulcos possuem um papel importante para esta determinação. De maneira geral, quanto mais fundos forem os sulcos, maior a sua aderência ao solo.

Já em relação aos desenhos, quando são em formato de “V”, por exemplo, são modelos mais adequados para dias de chuva e pistas alagadas, fazendo um melhor trabalho de drenar o líquido sem risco de derrapagem.

Estrutura do pneu

A estrutura de um pneu, ao contrário de uma característica como a aderência, não muda de um modelo para outro. Um pneu sempre tem:

  • Banda de rodagem – parte do pneu que toca a superfície e onde estão presentes as ranhuras e sulcos do pneu;
  • Ombro – onde a banda de rodagem e o flanco se unem;
  • Flanco – a parte lateral do pneu, onde você encontra as informações sobre cada modelo, como o seu tamanho, data de fabricação, etc.;
  • Cintas estabilizadoras – as cintas funcionam elas como estabilizadoras do pneu, auxiliando para rodar com maior segurança e equilíbrio, também protegendo a carcaça de impactos e perfurações;
  • Carcaça – esta é a parte interna que sustenta o pneu.

Índice treadwear

O índice treadwear está localizado na lateral do pneu e serve para indicar uma média de tempo com que ele se desgasta. 

Resumidamente, os números variam entre 60 a 620, sendo o valor de referência 100. E, quanto menor o número, mais rápido o item é comprometido. 

Para explicar melhor, se o pneu possui um índice treadwear (TWI) de 80, existe a expectativa de que ele dure mais do que um de índice 60, mas ambos possuem um desgaste acelerado ao considerar o valor de referência. 

Já os pneus de índice acima de 100 têm a probabilidade de durar mais tempo. Isto é, um com valor de 200 poderia durar até 2 vezes mais que o valor de referência.

Contudo, não tome isto como verdadeiro para todos os casos. Pode ser que o índice treadwear de um pneu seja menor e dure mais tempo, ou que um pneu com alto índice dure muito pouco. 

Afinal, a durabilidade dos pneus também depende de como foi fabricado e sua qualidade no geral.

Sulcos dos pneus

Os sulcos dos pneus são os “furos” padronizados na banda de rodagem. Eles podem ter vários formatos e disposições ao longo da banda do pneu, mas sempre apresentam a mesma função:

Ajudar tanto na passagem de ar, promovendo a aderência ao solo, quanto na passagem de água, evitando derrapagens e aquaplanagens.

A profundidade dos sulcos também influencia no desempenho dos pneus, sendo, geralmente, os mais profundos, de maior resistência à variação e aumento de temperaturas. Isto está diretamente relacionado à severidade dos pneus, confira no próximo tópico.

Severidade dos pneus

Existem três classificações de severidade dos pneus, sendo elas:

Alta:

Uma alta severidade significa que os sulcos são mais profundos. Esse é o melhor tipo de pneu para viagens urbanas, pois é o mais resistente às constantes acelerações e frenagens que aumentam a temperatura dos pneus.

Média

A média severidade equilibra as características dos outros dois tipos de pneus, sendo tanto uma boa resistência quanto um bom desempenho em alta velocidade. 

Costuma ser o tipo de pneu mais utilizado no transporte rodoviário, que exige que os caminhões façam rotas intercalantes entre rodovias e territórios urbanos, por vezes, passando até por estradas de chão.

Baixa:

O pneu de baixa severidade é o que apresenta menor resistência e melhor desempenho em alta velocidade, o tornando ideal para viagens de longa distância em rodovias estaduais ou interestaduais. 

Ele também é leve e contribui para a economia no consumo de combustível da frota.

Pressão dos pneus

A pressão dos pneus é controlada durante a calibragem. Para todo modelo de veículo, existem valores determinados pelas fabricantes que recomendam uma pressão ideal para o desempenho do veículo e melhor desempenho dos pneus.

Contudo, os diferentes modelos de pneu em um mesmo veículo tem performances distintas e as condições das estradas também influenciam nisto. Dentre outros fatores, o melhor que você pode fazer é monitorar a pressão dos pneus e seu nível de desgaste.

Dessa forma, reúne informações suficientes para realizar uma análise de desempenho dos pneus, identificando se a pressão pode ser a causa para resultados negativos e fazendo ajustes na calibragem até chegar na pressão ideal para cada marca e modelo, assim como para cada rota percorrida nas operações da transportadora.

Calibragem de pneus

A calibragem de pneus garante ao caminhão uma melhor estabilidade e reduz o desgaste dos pneus. Além disso, tem uma excelente consequência:

A economia no consumo de combustível.

O ato de calibrar pneus deve ser uma tarefa rotineira nas frotas. Há especialistas que defendem a necessidade de calibrar todos os dias. Porém, dependendo da quantidade de veículos na operação, isto se torna inviável. 

Por isso, o mais recomendado é que a calibragem seja realizada uma vez por semana. No mesmo ritmo, uma vez por semana deve ser feita a aferição de pressão para que os dados sejam registrados para análise posterior.

Banda de rodagem

A banda de rodagem é, nada mais, nada menos, que a parte do pneu que fica em contato direto com o solo, garantindo aderência e firmeza ao veículo. Seus tipos variam de acordo com a condição da superfície que o caminhão vai rodar. Eles são:

  • Direcional: gera estabilidade ao veículo, principalmente em curvas, e tem melhor desempenho em alta velocidade;
  • Bidirecional: gera mais tração com o solo;
  • Simétrica: tipo de banda voltada para dar mais equilíbrio ao veículo;
  • Assimétrica: possuem melhor desempenho em pistas molhadas e rotas com muitas curvas;
  • Off-road: banda exclusiva para deslocamento em estradas de terra, granito, terrenos acidentados, etc.

Lateral do pneu

A lateral do pneu, também chamada de flanco, é responsável por amortecer as irregularidades do solo. É por esse motivo que ela é composta por uma borracha mais resistente e flexível, além de conter informações importantes do pneu.

Essas informações incluem, respectivamente: a data de fabricação do pneu; sua largura e altura; identificação de pneu radial ou diagonal; seu diâmetro; e os índices de carga e velocidade máxima.

Ao final disso, há um espaço vazio para poder ser realizada a identificação dos pneus, seja pela marcação a fogo ou outro tipo utilizado na sua frota.

Inclusive, a criação desta marca para os pneus é essencial para que você consiga identificar o desempenho individual de cada ativo e evitando uma perda antecipada dos seus pneus.

Esta, que também acontece por outros motivos, como a negligência em realizar a aferição de pneus e acompanhar seu desgaste ao longo do tempo.

Pneu sem câmara de ar

O pneu sem câmara de ar é um tipo de pneu que possui, no seu interior, uma borracha que garante a retenção de ar, principalmente em caso de furos na banda de rodagem. Sua maior vantagem é a perda de pressão lenta, sendo a necessidade de calibrar os pneus menor que a de outros modelos.

Apesar disso, ele só funciona com aros específicos e válvulas adequadas, sendo apenas recomendado para veículos leves.

Resistência ao rolamento

De forma simples, a resistência ao rolamento é a força que o pneu recebe ao rodar em algum tipo de solo. 

É uma característica importante de observar antes de comprar um pneu, pois quanto maior sua resistência, maior é, também, o consumo de combustível em uma rota realizada com este modelo.

E como é definida essa resistência? Fatores como o diâmetro da peça, superfície rodada e pressão utilizada podem impactar nisto.

Contudo, já é um elemento indicado na etiqueta INMETRO na hora da compra.

Indicador de desgaste

O indicador de desgaste do pneu serve para mostrar quando a profundidade dos sulcos na banda de rodagem chegam a um limite mínimo. Ele é uma elevação nos pneus que se encontra dentro e no fundo dos sulcos. 

Quando essa elevação desaparece, significa que o pneu chegou ao seu limite e deve ser substituído imediatamente.

Válvula

A válvula é um dispositivo em formato cilíndrico, responsável pela entrada e saída de ar do pneu.

Quando usada para o enchimento, a mola interna bloqueia a saída e evita que o fluxo de ar transite pelo sistema. 

Por outro lado, quando é preciso realizar o esvaziamento do pneu, deve-se encaixar a mangueira, configurada para a pressão desejada, na válvula e esperar que ela permita o ar ser retirado.

Aquaplanagem

O fenômeno da aquaplanagem acontece quando o veículo perde o contato com o solo devido ao piso molhado. Isso ocorre, principalmente, devido ao desgaste excessivo do pneu, podendo causar acidentes graves.

Porém, pode acontecer mesmo com os pneus em boas condições, quando estes não são aptos a enfrentar uma pista encharcada. Afinal, apenas alguns tipos de pneus possuem um nível de aderência suficiente para este propósito.

Assim como a resistência de rolamento, esta informação consta na etiqueta INMETRO e é descrita como “aderência em pista molhada” — sendo aquele classificado como “A” o pneu de melhor desempenho nesta característica.

Pneu runflat

Esse modelo de pneu tem suas estruturas reforçadas para continuar rodando mesmo em caso de furos ou rasgos. Dependendo do modelo, ele pode rodar por até 80 km a uma velocidade média de 80 km/h. 

Sua principal função é preservar o máximo possível a dirigibilidade, evitando acidentes na estrada. 

Nem todos os veículos podem usar este tipo de pneu, portanto, você deve sempre avaliar a compra e montagem do ativo em uma borracharia ou oficina antes de começar a usar.

Distância de travagem

Esta representa a distância percorrida desde o momento em que o pedal do travão é acionado até o veículo parar completamente. 

Entender a distância de travagem é importante para identificar quando o pneu está com um desgaste excessivo. 

Isto porque, quando o veículo demora mais a responder o comando de freio, significa que o pneu não está conseguindo ter atrito o suficiente para fazer o veículo parar. Desta forma, é necessário avaliar a troca e recapagem ou descarte deste pneu.

Quilometragem

Como pode imaginar, trata-se da quantidade de quilômetros que um veículo percorreu em sua vida útil. O número é medido por um instrumento chamado hodômetro, localizado no painel, próximo ao volante.

Geralmente, serve para indicar o estado de conservação do veículo, também sendo um fator identificador de alguns tipos de serviço da manutenção preventiva — que afetam também os pneus.

O balanceamento de caminhão, por exemplo, deve acontecer a cada 10 mil km rodados. Caso contrário, pode causar uma direção instável e gerar um desgaste irregular nos pneus.

Portanto, realizar o controle de quilometragem e saber quando atingiu esta marca é uma etapa importante para melhorar a durabilidade e desempenho dos veículos e seus ativos.

CPK do pneu

CPK é a sigla que representa “Custo por Quilômetro Rodado” e, neste caso, se refere ao custo percorrido por KM dos pneus. 

O cálculo é realizado considerando os custos envolvidos para o deslocamento e o total de quilometragem rodada. Após passar por serviços de manutenção, como a recapagem, este valor também é incluído na conta.

Embora seja um cálculo que muitas frotas deixam de realizar, ele é essencial para descobrir os pneus de melhor custo-benefício em uma operação de transporte. Assim, gerando compras mais inteligentes e economia tanto a curto quanto a longo prazo.

Recapagem

A recapagem funciona de um modo bastante simples: uma nova banda de rodagem é aplicada no pneu usado, cobrindo toda a sua carcaça. Para isso acontecer, a banda de rodagem antiga é raspada e então trocada pela nova.

Além disso, o processo de recapagem só é possível quando a carcaça do pneu ainda está em boas condições e não sofreu fadiga.

Recauchutagem

A recauchutagem é um procedimento de reforma dos pneus que reaproveita a carcaça de um pneu estragado. Normalmente, quando o pneu sofre danos excessivos e recebe uma recusa de recape, é então adotada a recauchutagem como solução.

O processo é praticamente uma reconstrução do pneu, consistindo na aplicação de borracha não vulcanizada ao longo de toda a banda de rodagem e, também, nos ombros do ativo.

Sistema de gestão de pneus

A gestão de pneus aborda os vários cuidados para aumentar a vida útil do pneu. Portanto, ele tem como objetivo facilitar e otimizar a operação da frota para alcançar maior produtividade e qualidade na rotina.

Além de promover economia e segurança nas rotas diárias, com os pneus rodando nas melhores condições possíveis.

Dentro de um sistema como este, você encontra as funcionalidades de:

  • Movimentação de pneus;
  • Controle de inventário;
  • Relatórios automatizados;
  • Análise do nível de desgaste dos ativos;
  • Causas prováveis e soluções para os pneus desgastados;
  • Cálculo CPK do pneu automatizado;
  • Cadastro de todas as placas e ativos.

Em alguns casos, como ao adquirir a solução Prolog, você ainda recebe o aferidor eletrônico, uma ferramenta para agilizar a inspeção de pneus e realizar a coleta automática (e precisa) dos dados de pressão e profundidade dos sulcos.

Aferidor de pneus

O aferidor de pneus é um aparelho que consiste em medir a calibragem de pneu para acompanhar a pressão. Ou seja, a partir dele o condutor pode verificar se a pressão está baixa ou alta e, assim, tomar as devidas providências.

Também serve para acompanhar a profundidade dos sulcos de cada pneu do veículo, realizando a medição destes.

O aparelho pode tanto ser manual quanto digital. No primeiro modelo, a leitura é feita pelo próprio inspetor, seja o motorista ou o gestor de pneus, após inserir a ferramenta nos sulcos do pneu. Para medir a pressão, é preciso ter um manômetro manual também.

Já com a opção digital, o mesmo aparelho pode ser adaptado com a mangueira para medição de pressão. E, neste caso, a leitura dos dados é feita automaticamente, sendo os dados enviados diretamente para um sistema de gestão de pneus.

Para entender como prolongar a vida útil dos ativos, confira agora:

Perguntas frequentes

O que é o índice treadwear do pneu?

É um número gravado na lateral do pneu que indica uma média de tempo com que a borracha se desgasta. Os valores vão de 60 a 620, e 100 é a referência: quanto menor, mais depressa o item se compromete; acima de 100, existe a probabilidade de durar mais tempo. A regra não vale para todo caso — fabricação e qualidade geral também pesam na durabilidade.

Com que frequência calibrar os pneus da frota?

Há especialistas que defendem calibrar todo dia, o que fica inviável conforme a quantidade de veículos da operação. O mais recomendado, então, é uma vez por semana — e, no mesmo ritmo, aferir a pressão, deixando os dados registrados para análise posterior. Manter a calibragem em dia dá mais estabilidade ao caminhão, reduz o desgaste e economiza combustível.

O que significa a severidade de um pneu?

A severidade separa os pneus em três grupos. Na alta, os sulcos são mais fundos e o pneu aguenta melhor a aceleração e a frenagem constantes, o que a indica para o uso urbano. A média equilibra resistência com desempenho em velocidade alta e costuma ser a mais usada no transporte rodoviário. A baixa resiste menos, roda melhor em velocidade alta e se destina a longas distâncias em rodovia.

Quais informações estão gravadas na lateral do pneu?

A lateral, também chamada de flanco, traz nesta ordem a data de fabricação, a largura e a altura, a identificação de pneu radial ou diagonal, o diâmetro e os índices de carga e de velocidade máxima. Ao final desse conjunto sobra um espaço vazio, reservado para a identificação que a frota adota, seja marcação a fogo ou outro tipo de marcação.

Qual a diferença entre os tipos de banda de rodagem?

São cinco tipos. A direcional dá estabilidade, sobretudo em curva, e rende mais em velocidade alta. A bidirecional gera tração maior com o solo. A simétrica busca dar mais equilíbrio ao veículo. A assimétrica se sai melhor em pista molhada e em rota cheia de curvas. E a off-road é exclusiva para terra, granito e terreno acidentado.

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