Manutenção sustentável: o que é e como aplicar na frota
A manutenção sustentável é mais que um método para reduzir o desperdício de insumos e a liberação de gases na atmosfera.
Na verdade, aplicar esse tipo de prática é uma tendência logística que contribui para o reconhecimento da empresa em vários níveis.
Tanto para ser vista como uma transportadora preocupada com as questões ambientais, conquistando novos clientes e parceiros, quanto para reduzir seus custos operacionais e aumentar a durabilidade dos ativos. A seguir, confira:
- O que é manutenção sustentável;
- Como aplicar uma manutenção sustentável na frota;
- Outras práticas sustentáveis para aplicar na gestão de frotas.
O que é manutenção sustentável
De maneira breve, a manutenção sustentável é o conjunto de práticas de manutenções da frota, realizadas de maneira que não agrida o meio-ambiente.
Mas, antes de falarmos mais sobre essa estratégia de manutenção, precisamos dar significado à palavra sustentabilidade. Ela representa um estilo de vida (e de gestão de empresas) que visa reduzir os impactos ambientais e a exploração de recursos.
Assim, o conceito de manutenção sustentável está diretamente ligado à estratégia ESG — sigla em inglês de “Environmental, Social and Governance”, ou seja, ambiental, social e governança —, e o objetivo é eliminar o desperdício e diminuir a poluição da atmosfera por meio de práticas sustentáveis para cada uma das três áreas.
Vale registrar uma distinção importante antes de seguir: parte do que se costuma tratar como boa vontade ambiental, na manutenção de frota, é obrigação prevista em norma. Pneus e óleos lubrificantes usados, por exemplo, estão na lista de produtos sujeitos a logística reversa da Lei nº 12.305/2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (art. 33, incisos III e IV), e o §4º do mesmo artigo determina que “os consumidores deverão efetuar a devolução após o uso, aos comerciantes ou distribuidores” desses produtos. Na cadeia de manutenção, quem gere a frota é esse consumidor.
No setor de transporte e logística, a manutenção é uma tarefa obrigatória. Ou seja, não pode deixar de ser realizada. Então, o melhor que os gestores podem fazer é buscar maneiras de otimizar a rotina para evitar prejuízos ao meio-ambiente.
As práticas de uma manutenção sustentável trazem vantagens como:
- Diminuição de perdas dos ativos da frota;
- Redução do consumo de combustível;
- Maior produtividade sem consumir mais energia;
- Aumento na durabilidade dos pneus e veículos.
Como aplicar a manutenção sustentável na frota?
1 – Opte por veículos mais econômicos
Os veículos da frota que já tem algum tempo de utilização devem ser avaliados para uma renovação de frota. Principalmente se eles estão, frequentemente, passando por manutenções.
Geralmente, nesse momento, eles já estão com sua eficiência prejudicada e com um gasto mais alto de combustível — quando o motor precisa fazer mais esforço para dar velocidade ao veículo.
A queima de combustível emite gases prejudiciais ao meio ambiente. Por isso, opte por investir em um transporte sustentável, com maior vida útil de componentes e que demandem menos gastos com correções não planejadas.
Vale lembrar que essa avaliação depende menos da idade do veículo e mais do que a operação registrou sobre ele: custo acumulado de manutenção e consumo por veículo são o que permite comparar manter e renovar.
2 – Inclua a prevenção na rotina da frota
A manutenção preventiva é a melhor opção para que os seus veículos tenham uma durabilidade estendida, gerando o mínimo de gastos possível. Nela, acontecem as inspeções diárias da frota e análises de serviços para entender como está o desempenho dos veículos.
A prevenção ajuda a economizar e melhorar a performance da operação, trazendo o aspecto de manutenção sustentável à frota.
O efeito ambiental, aqui, é indireto: componente que dura mais é componente que não precisou ser fabricado, transportado e descartado antes da hora.
3 – Entenda como fazer o descarte correto de peças
Conforme os serviços preventivos e corretivos acontecem, peças desgastadas ou quebradas são retiradas do veículo. Na maioria dos casos, elas não podem ser descartadas em um lixo comum.
Portanto, para seguir as diretrizes de uma manutenção sustentável, você deve saber qual é o descarte apropriado para cada peça e para os pneus também. Além disso, você pode gerar algumas parcerias com empresas especializadas no descarte de itens veiculares.
No caso dos pneus, o caminho está descrito em norma. A Resolução CONAMA nº 416/2009 obriga fabricantes e importadores de pneus novos com peso unitário superior a 2,0 kg a coletar e dar destinação adequada aos pneus inservíveis, e prevê que distribuidores, revendedores, destinadores, consumidores finais de pneus e o Poder Público implementem, em articulação com eles, os procedimentos de coleta (art. 1º, caput e §1º). Para quem troca pneu, o dispositivo mais prático é o art. 9º: os estabelecimentos de comercialização de pneus “são obrigados, no ato da troca de um pneu usado por um pneu novo ou reformado, a receber e armazenar temporariamente os pneus usados entregues pelo consumidor, sem qualquer tipo de ônus para este”.
A mesma resolução veda a disposição final de pneus no meio ambiente, “tais como o abandono ou lançamento em corpos de água, terrenos baldios ou alagadiços, a disposição em aterros sanitários e a queima a céu aberto” (art. 15). E determina que o armazenamento temporário garanta as condições necessárias à prevenção dos danos ambientais e de saúde pública, com a regra de que “fica vedado o armazenamento de pneus a céu aberto” (art. 10 e parágrafo único). Na rotina da frota, isso se traduz em decisões concretas: onde as carcaças ficam até a coleta, por quanto tempo e quem controla a saída. Se a operação também acompanha o fim de vida das carcaças, vale conferir o que muda no descarte de pneus.
4 – Faça o descarte de resíduos líquidos
Esses resíduos incluem, por exemplo, o óleo lubrificante, que é altamente poluente. Nesse caso, a destinação não é escolha da operação: está definida na Resolução CONAMA nº 362/2005, que proíbe “quaisquer descartes de óleos usados ou contaminados em solos, subsolos, nas águas interiores, no mar territorial, na zona econômica exclusiva e nos sistemas de esgoto ou evacuação de águas residuais” (art. 12) e determina que todo o óleo usado ou contaminado coletado seja destinado à reciclagem por meio do processo de rerrefino (art. 3º) — admitida, a critério do órgão ambiental competente, outra tecnologia de eficácia ambiental comprovada equivalente ou superior.
A norma também lista o que cabe a quem gera o resíduo, papel que a oficina da frota ocupa. O art. 18 determina recolher o óleo de forma segura, em recipientes adequados e resistentes a vazamentos; adotar medidas para que ele não se misture com produtos químicos, combustíveis, solventes, água e outras substâncias, o que inviabilizaria a reciclagem; alienar o óleo exclusivamente a ponto de recolhimento ou coletor autorizado, exigindo a apresentação das autorizações e a emissão do respectivo Certificado de Coleta; e manter esses documentos por cinco anos, para fins de fiscalização. Para frota, o §1º do mesmo artigo acrescenta que os óleos usados “provenientes da frota automotiva devem preferencialmente ser recolhidos nas instalações dos revendedores”. Se a troca de óleo acontece na própria base, é essa cadeia que precisa estar montada antes do primeiro tambor cheio.
5 – Aplique a estratégia ESG no seu planejamento da frota
A estratégia ESG inclui práticas e recursos sustentáveis dentro da empresa. Essas ações são maneiras de tornar a manutenção da frota em uma atividade mais sustentável também.
Algumas dessas ações são:
| Ambiental | Social | Governança |
| Controle de combustível | Investimento em tecnologia | Estabelecimento de uma política de frotas |
| Descarte correto de pneus | Plano para gestão de riscos | Desenvolvimento de culturas na empresa |
| Treinamento de direção defensiva | Controle da jornada dos motoristas | Gestão de multas |
Exemplos de práticas ESG na gestão de frotas.
Repare que boa parte do que sustenta essa coluna ambiental já é documento exigido por norma — o Certificado de Coleta do óleo, guardado por cinco anos, é o exemplo mais direto. É o que transforma a política ESG em algo demonstrável diante de um cliente, de uma auditoria ou de um edital.
Dicas para incluir práticas sustentáveis na gestão de frotas
Além da manutenção sustentável, existem outras áreas da gestão de frotas que podem se tornar mais amigáveis ao meio-ambiente. Confira algumas dicas para saber por onde começar:
Planeje e estabeleça metas
Antes de começar a aplicar ações em sua frota e até mexer em processos rotineiros, defina exatamente o que serão essas atividades e como elas devem acontecer daqui em diante. É preciso entender o porquê essa ação vai acontecer, o que motivou ela e quais os resultados esperados.
Ao pensar nas metas que deseja atingir, todos os colaboradores conseguem visualizar a importância de suas ações e sabem como contribuir para uma gestão de sucesso.
Treine a equipe
Sejam os motoristas ou os mecânicos, todos devem passar pelos treinamentos adequados às suas funções.
No caso dos motoristas, eles devem saber como utilizar o checklist de inspeção veicular e como suas anotações contribuem para que os veículos funcionem adequadamente e não geram desperdícios.
Para a equipe de oficina, o treinamento tem um recorte a mais, que vem das próprias obrigações do gerador de resíduo: separar o que não pode ser misturado, usar os recipientes corretos e guardar os comprovantes de coleta.
Conheça os melhores tipos de combustível
Cada veículo funciona com um tipo de combustível, seja gasolina, álcool ou diesel, todas as opções possuem alternativas mais sustentáveis. Você deve saber quais são e como pode começar a utilizar na sua operação.
Parte dessa transição já chega à frota pelo próprio abastecimento: o diesel vendido no Brasil carrega uma mistura obrigatória de biodiesel, cujo percentual é definido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e revisto periodicamente. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o teor passou a ser de 15% a partir de 1º de agosto de 2025, por decisão da Resolução CNPE nº 9/2025 — antes disso, era de 14%, desde março de 2024.
Na hora de avaliar a renovação da frota, procure por veículos que aceitem e tenham melhor desempenho com os combustíveis menos poluentes.
Para que sua empresa seja cada vez mais reconhecida por implantar métodos sustentáveis nas operações, confira também o nosso conteúdo sobre ações sustentáveis na frota.
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