7 soluções sustentáveis de manutenção para implementar na sua frota
O controle de veículos de uma frota abrange diversas atividades, desde a inspeção dos veículos até os serviços de correção de problemas e a utilização de soluções sustentáveis na manutenção.
Cada um desses processos pode ter impactos no meio ambiente e deve estar alinhado com os princípios ESG (ambientais, sociais e de governança).
Portanto, compreender e adotar soluções sustentáveis é crucial para que empresas com frotas e transportadoras possam se adequar às práticas sustentáveis e contribuir para o atingimento dos objetivos globais de sustentabilidade, como a Agenda 2030 da ONU — compromisso construído pelos 193 Estados-membros das Nações Unidas e expresso na Resolução 70 da Assembleia Geral, de setembro de 2015, que reúne 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Uma parte do que vem a seguir, porém, não depende de compromisso voluntário: descarte de óleo lubrificante e destinação de pneu inservível têm resolução federal específica, citada ao longo do texto com a fonte oficial ao lado.
A seguir, confira as principais soluções sustentáveis de manutenção que podem ser aplicadas na gestão de frotas:
- Manutenção preditiva e preventiva;
- Descarte de óleos e fluidos;
- Monitoramento por telemetria;
- Lavagem ecológica;
- Aquisição de veículos econômicos e eficientes;
- Gestão e reciclagem de pneus;
- Gerenciamento dos processos de manutenção.
Manutenção preditiva e preventiva
Por meio das manutenções preditiva e preventiva, é possível antecipar problemas mecânicos e elétricos, realizando as intervenções necessárias antes que ocorram falhas de maior gravidade nos veículos.
Além de ajudar a aumentar a vida útil dos equipamentos, a prática tende a reduzir o consumo de recursos, como peças de reposição e combustível, e a minimizar a emissão de poluentes, já que veículos bem conservados tendem a ser mais eficientes.
Um benefício adicional é a redução dos custos operacionais da frota, uma vez que a manutenção corretiva, geralmente mais custosa, pode ser minimizada por meio da identificação antecipada de problemas.
Vale a ressalva de que as duas estratégias não são intercambiáveis. A preventiva se apoia em calendário e quilometragem e funciona com o que a frota já registra hoje; a preditiva depende de acompanhamento de condição — análise de óleo, medição de desgaste, histórico consistente por componente — e não se implanta de um mês para o outro numa operação que ainda não tem esse histórico.
Descarte adequado de óleos e fluidos (e suas embalagens)
É essencial que as empresas pratiquem soluções sustentáveis de manutenção como a inclusão de um sistema de coleta e destinação final de óleos, fluidos e suas embalagens.
Isso porque é fundamental que o descarte desses resíduos esteja em conformidade com as regulamentações ambientais. No caso do óleo lubrificante, a regra é federal e específica: a Resolução Conama nº 362, de 23 de junho de 2005, estabelece que todo óleo lubrificante usado ou contaminado deverá ser recolhido, coletado e ter destinação final de modo que não afete negativamente o meio ambiente e propicie a máxima recuperação dos seus constituintes.
Inclusive, os óleos usados podem voltar ao ciclo produtivo: a mesma resolução determina que todo o óleo lubrificante usado ou contaminado coletado seja destinado à reciclagem por meio do rerrefino — processo industrial de remoção de contaminantes, produtos de degradação e aditivos, que devolve ao óleo características de óleo básico. A norma registra que combustão e incineração não são consideradas formas de reciclagem ou de destinação adequada, e proíbe quaisquer descartes de óleos usados ou contaminados em solos, subsolos, águas interiores, mar territorial, zona econômica exclusiva e sistemas de esgoto.
Vale entender quais são os requisitos para que isso aconteça na sua operação. A frota que troca óleo na própria oficina é, no vocabulário da resolução, um gerador, e o texto integral da norma lista o que cabe a ele: recolher os óleos usados de forma segura, em recipientes adequados e resistentes a vazamentos, em lugar acessível à coleta; evitar que o óleo se misture a produtos químicos, combustíveis, solventes, água e outras substâncias, o que inviabiliza a reciclagem; entregá-lo exclusivamente a ponto de recolhimento ou coletor autorizado, exigindo as autorizações e a emissão do respectivo Certificado de Coleta; e manter esses documentos por cinco anos, para fins de fiscalização. Pessoa jurídica ainda responde por dar destinação final adequada, autorizada pelo órgão ambiental competente, aos óleos não recicláveis.
Além disso, as embalagens desses produtos também podem ser recicladas ou descartadas de forma adequada, reduzindo o impacto ambiental. As embalagens plásticas de óleo lubrificante têm sistema próprio de logística reversa, instituído por acordo setorial e operado por uma entidade gestora: as embalagens usadas são recebidas dos geradores em visitas itinerantes ou em pontos de entrega voluntária (PEVs), onde ocorre a segregação e o encaminhamento para destinação adequada.
Ao adotar práticas responsáveis de descarte de óleos e fluidos, as empresas não apenas contribuem para a preservação do meio ambiente, mas também evitam possíveis sanções legais e demonstram seu compromisso com a sustentabilidade.
Monitoramento por telemetria
Telemetria é uma categoria de solução vendida por empresas especializadas em rastreamento e monitoramento veicular. Instalada no veículo, ela transmite dados de localização e de desempenho e, a partir deles, gera indicadores de uso e de comportamento de condução.
As operações que contratam esse tipo de sistema costumam usá-lo para revisar rotas e para trabalhar hábitos de direção, como aceleração brusca, frenagem forte e marcha lenta prolongada. Quando a empresa de fato age sobre esses indicadores — com treinamento, replanejamento de rota, ajuste de janela de entrega —, o consumo de combustível e as emissões associadas podem cair. O dado sozinho não produz o efeito: a economia prometida por um fornecedor é potencial, não resultado garantido.
Por isso a telemetria entra nesta lista como uma das ferramentas disponíveis no mercado para apoiar decisões ambientais na frota. Ela convive com a inspeção e o apontamento de oficina, que são a origem do histórico de cada componente — pneu, freio, filtro — e da vida útil que se consegue medir.
Lavagem ecológica
A lavagem ecológica representa uma das soluções sustentáveis de manutenção, concentrando-se na redução do desperdício de água e na minimização do uso de produtos químicos prejudiciais.
Essa prática adota métodos de limpeza mais eficientes e menos agressivos ao ambiente, como o emprego de água reciclada, sistemas de reúso e produtos biodegradáveis.
Além de economizar recursos naturais, a lavagem com tratamento e reúso de efluentes ajuda a evitar que resíduos oleosos do pátio cheguem à rede pluvial e aos corpos d'água, o que contribui para a proteção das fontes de água.
É uma das ações de desenvolvimento sustentável que demonstra o compromisso das empresas com a responsabilidade ambiental em suas operações de frota. Na prática, o item que costuma pesar mais é a estrutura do local de lavagem — piso impermeabilizado, canaletas e caixa separadora de água e óleo. Vale confirmar com o órgão ambiental do seu estado o que é exigido no licenciamento do pátio antes de investir, porque a regra varia conforme a localidade.
Aquisição de veículos econômicos e eficiente
Optar por veículos equipados com tecnologias que reduzem o consumo de combustível e as emissões de poluentes contribui diretamente para a redução do impacto ambiental.
Esses veículos também costumam ser apontados como menos sujeitos a problemas e a custos de manutenção mais altos — o que, na prática, depende da idade da frota, do regime de uso e da disponibilidade de peças e assistência na região onde a operação roda.
Além de sua vantagem ambiental, esses veículos proporcionam uma eficiência aprimorada no consumo de combustível, o que se traduz em economia ao longo do ciclo de vida do ativo. É por aí que a conta costuma fechar, já que o preço de aquisição de modelos mais eficientes tende a ser maior: a comparação útil é por custo total de propriedade, não por preço de tabela.
Dessa forma, a aquisição de veículos econômicos e eficientes é uma das ações sustentáveis na frota que também fortalece a sua saúde financeira.
Gestão e reciclagem de pneus
A gestão adequada de pneus desempenha um papel crucial na busca pela sustentabilidade da frota, especialmente considerando os significativos impactos ambientais causados por esses componentes.
Essa gestão engloba várias etapas, incluindo inspeções regulares para avaliar o estado dos pneus para aumento de sua vida útil, a manutenção da pressão correta e a implementação de procedimentos de descarte e reciclagem.
Aqui também existe norma federal. A Resolução Conama nº 416, de 30 de setembro de 2009, obriga fabricantes e importadores de pneus novos com peso unitário superior a 2 kg a coletar e dar destinação adequada aos pneus inservíveis existentes no território nacional. Ela também veda a disposição final de pneus no meio ambiente — abandono ou lançamento em corpos de água, terrenos baldios ou alagadiços, disposição em aterros sanitários e queima a céu aberto — e veda o armazenamento de pneus a céu aberto.
Dois pontos do texto da resolução tocam a rotina de quem administra frota. O primeiro: é vedada a destinação final de pneus usados que ainda se prestam para processos de reforma, segundo normas técnicas em vigor — a resolução trata recapagem, recauchutagem e remoldagem como etapas anteriores à destinação final da carcaça. O segundo: os estabelecimentos de comercialização de pneus são obrigados, no ato da troca de um pneu usado por um novo ou reformado, a receber e armazenar temporariamente os pneus usados entregues pelo consumidor, sem qualquer tipo de ônus para este, com controle que identifique origem e destino.
Pneus desgastados e sem utilidade podem ser reciclados de diversas maneiras, contribuindo para a redução dos impactos ambientais. A resolução define destinação ambientalmente adequada como o procedimento técnico em que os pneus são descaracterizados de sua forma inicial e seus elementos constituintes são reaproveitados, reciclados ou processados por outra técnica admitida pelos órgãos ambientais competentes — e registra que a simples transformação do pneu inservível em lascas de borracha não é considerada destinação final.
Materiais provenientes da reciclagem de pneus costumam ser citados em usos como asfalto-borracha e solados de calçados, evitando o acúmulo em aterros sanitários.
Estabelecer parcerias com empresas especializadas em descarte e reciclagem de pneus, devidamente licenciadas pelo órgão ambiental competente, representa um passo importante para tornar a sua frota mais sustentável.
Gerenciamento dos processos de manutenção
O gerenciamento eficiente dos processos de manutenção é um componente fundamental para a gestão sustentável da frota.
Esse processo abrange o planejamento estratégico e a programação de manutenções preventivas, o controle rigoroso do estoque de peças de reposição e a otimização dos procedimentos de reparo.
Além de contribuir para a confiabilidade dos veículos, a gestão de manutenção atua na redução do desperdício de recursos e na minimização do tempo de inatividade dos veículos.
Esses fatores, por sua vez, têm um impacto direto na produtividade das operações de transporte.
Há ainda um efeito de conformidade que costuma passar despercebido: sem registro de manutenção, a empresa não consegue mostrar para onde foram o óleo trocado e o pneu retirado. Os certificados de coleta e os comprovantes de destinação previstos nas resoluções citadas acima precisam estar amarrados a uma ordem de serviço e a uma data — é isso que transforma boa intenção ambiental em evidência auditável.
Implementar uma manutenção sustentável na frota inclui ações como as mencionadas acima, além de praticar a oferta de treinamentos focados nesse aspecto aos motoristas e à equipe interna de manutenção, desenvolver a cultura ESG na empresa e investir em tecnologias que contribuem para atingir esses objetivos. Fornecedores especializados oferecem soluções de telemetria com esse propósito. Do lado da oficina, o sistema de gestão de manutenção para frotas organiza ordens de serviço, custos e histórico por veículo.
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