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Gestão de pneus

Dicas para planejar as manutenções de pneus da frota

Luiz Felipe Luiz Felipe 12 min de leitura
Dicas para planejar as manutenções de pneus da frota

A manutenção de pneus faz parte da rotina de gestão de frotas. As principais atividades incluem o controle das condições do pneu para maior segurança na rodagem e que possam ser utilizados por mais tempo.

O grau de estruturação dessa rotina ainda varia bastante de uma frota para outra: parte controla pneu a pneu, com inspeção registrada e histórico por posição, e parte trata o pneu como item de consumo, comprando quando falta. Onde a rotina está montada, ela tende a se pagar pelos benefícios que gera, diminuindo custos e aumentando a vida útil dos pneus.

Confira mais a seguir:

O que é a manutenção preventiva de pneus?

A manutenção de pneus é parte de uma área das operações de transporte que chamamos de “gestão de pneus”. Nessa atividade, os pneus são inspecionados e avaliados, identificando a necessidade de reformas, principalmente em sua banda de rodagem.

A preservação de condições ideais de rodagem é o principal objetivo desse tipo de manutenção, contribuindo para que o pneu não chegue em um desgaste acima da média e acabe sendo perdido antes do tempo por conta de sua deformação.

Na prática, a rotina se apoia em poucas medidas repetidas sempre do mesmo jeito: profundidade de sulco, pressão, avaliação visual de danos e posição do pneu no veículo. É a repetição registrada — e não a medição isolada — que revela desgaste irregular, perda de pressão e problemas de alinhamento ou suspensão.

Benefícios de fazer a manutenção de pneus corretamente

As condições do pneu influenciam em outros aspectos do veículo. Se não forem cuidados adequadamente, podem atrapalhar o desempenho da frota ao longo do tempo. Por isso, a manutenção de pneus gera benefícios como:

Aumentar a vida útil de um pneu

Se o objetivo da manutenção de pneus é preservar as características do ativo, consequentemente, a vida útil dessas peças do veículo tende a aumentar.

Uma empresa que não realiza a gestão de pneus e suas atividades de manutenção chega a perder até 50% a mais de pneus. Esse percentual é referência de prática de setor, e não dado oficial ou parâmetro fixado em norma: a diferença real depende da aplicação, da política de reforma e da qualidade da inspeção, e precisa ser apurada no histórico da própria frota.

A Cobeb, por exemplo, foi uma das transportadoras que reduziu pela metade as recusas de recape após implementar o sistema de gestão para controlar esses ativos da frota.

Muitas das perdas acontecem justamente pela recusa de recape, decorrente da fadiga de carcaça, quando o pneu já rodou além de seu limite e a estrutura interna foi danificada.

Nesses casos, torna-se arriscado realizar algum tipo de manutenção ou reforma, além de ser um custo que pode não compensar, porque a reforma tende a não entregar a vida adicional esperada. A referência de cerca de dois anos a mais por reforma é expectativa de prática de mercado, não garantia: o resultado depende da condição da carcaça, da aplicação e do reformador.

A reforma também tem limites definidos em norma. O art. 5º da Resolução CONTRAN nº 913, de 28 de março de 2022, que dispõe sobre o uso de pneus em veículos, proíbe o uso de pneus reformados — quer seja pelo processo de recapagem, recauchutagem ou remoldagem — em ciclomotores, motonetas, motocicletas e triciclos, e no eixo dianteiro de ônibus e micro-ônibus. A vedação alcança apenas as categorias e a posição de eixo listadas nesse artigo.

Por isso, os processos de manutenção de pneus são fundamentais para aumentar a durabilidade desses itens.

Reduzir custos operacionais

Os custos são reduzidos em três aspectos:

Aquisição de pneus

Por se aproveitarem melhor os pneus, evitando que sofram danos excessivos e que estejam sempre com as manutenções em dia, é possível comprar menos pneus todos os meses. Dessa forma, reduzindo os custos de aquisição de novas peças.

O efeito aparece também na escolha do que comprar: com histórico por marca, modelo e aplicação, a decisão deixa de ser tomada pelo preço da peça e passa a considerar quanto cada pneu entrega por quilômetro rodado.

Manutenção de veículos

Pneus que rodam com a pressão de calibragem abaixo ou acima do ideal sofrem mais danos e impactam na estrutura do veículo, sentindo todos os “balanços” e trepidações. Além disso, manter a calibração correta ajuda a reduzir o risco de acidentes e tombamentos na estrada.

A relação vale nos dois sentidos: desgaste irregular costuma ser sintoma de alinhamento, balanceamento, suspensão ou freio fora de ajuste. Quando o mesmo padrão de desgaste se repete na mesma posição de vários veículos, dificilmente o problema está no pneu.

Menos serviços de manutenção aos seus veículos, mais economia para a sua frota.

Combustível

Quando os pneus estão murchos, por exemplo, o motor precisa realizar um esforço maior, pois o veículo fica mais “pesado” ao rodar com maior atrito no solo. Isso gera uma queima de combustível acima do necessário.

Por isso, se os pneus estão em suas condições ideais de rodagem, eles permitem que a movimentação aconteça de maneira mais “suave” e o consumo de combustível da frota tende a se tornar mais eficiente — levando a redução de custos de abastecimento.

O tamanho desse efeito varia com a aplicação, o desenho do pneu e a carga transportada. Por isso, faz mais sentido acompanhar o consumo da própria frota antes e depois de ajustar a rotina de calibragem do que adotar um percentual pronto de economia.

Gerar dados para análise

Para quem realiza a manutenção de pneus usufruindo de tecnologias logísticas, a geração de dados é uma realidade. E não há como negar: gerar informações concretas e reais para analisar e tomar decisões embasadas é fundamental nos dias de hoje.

Alguns dados coletados incluem: variação de calibragem e profundidade dos sulcos, quantidade de pneus enviados ao recape, quantidade de recusas de recape, qualidade dos serviços de manutenção, quanto tempo um pneu dura após ser reformado, etc.

Esses números só se sustentam quando cada pneu tem identificação própria e o registro é feito por posição no veículo, a cada inspeção. Sem isso, a frota fica com uma média — e a média esconde justamente o pneu que está indo embora antes da hora.

A partir deles, você começa a entender melhor os fatores que influenciam na durabilidade dos pneus e quais são as principais causas de danos e problemas. O que resulta em decisões mais certeiras e efetivas.

Como fazer a manutenção de pneus?

1 – Montar um plano de manutenção

O plano de manutenção é essencial para toda a frota, seja dos veículos ou dos pneus. É a partir do que foi determinado ali que todos saberão o seu papel e atividades a serem cumpridas no dia a dia da operação.

Certifique-se de esclarecer todas as atividades envolvidas, quantas vezes devem acontecer e quem são os responsáveis. É importante também identificar o objetivo da empresa com essa rotina e quais são as métricas avaliadas.

Um plano útil responde a perguntas concretas: com que frequência o pneu é inspecionado, qual profundidade de sulco dispara a programação de troca ou de reforma, qual pressão de trabalho vale para cada aplicação e o que fazer quando um pneu é reprovado. Sem esses critérios escritos, cada inspetor decide de um jeito.

Quanto mais claro fica o porquê os colaboradores devem realizar as tarefas e a importância de seus papéis na gestão da frota, maior a chance de eles terem um alto desempenho em suas funções.

2 – Ter o cronograma disponível para os responsáveis

Todo plano de manutenção é acompanhado por um cronograma de atividades. É importante que este fique disponível em um painel de atividades ou em um sistema de gestão, como a visualização Kanban, para que todos saibam quando realizar as suas atividades.

Vale encaixar esse cronograma na rotina que já existe — abastecimento, troca de turno, retorno à base — em vez de criar uma parada só para inspecionar. Rotina que disputa espaço com a operação costuma ser a primeira a ser abandonada.

3 – Acompanhar as medições realizadas

Por parte do gestor da frota e/ou de pneus, o ideal é estar sempre atento e acompanhando a realização das atividades de gestão e manutenção de pneus. Tanto para ter certeza de que estão sendo cumpridas, quanto para avaliar se há resultados fora do comum ou preocupantes, que devem ser analisados imediatamente.

Há um piso legal que serve de referência para a leitura do sulco. O art. 4º da Resolução CONTRAN nº 913/2022, no texto publicado no Diário Oficial da União, estabelece que fica proibida a circulação de veículo automotor equipado com pneu cujo desgaste da banda de rodagem tenha atingido os indicadores, ou cuja profundidade remanescente da banda de rodagem seja inferior a 1,6 mm; o § 1º acrescenta que essa profundidade remanescente será constatada visualmente por meio de indicadores de desgaste. Esses indicadores existem porque o art. 3º exige que todo pneu seja fabricado ou reformado com eles colocados no fundo do desenho da banda de rodagem. A resolução está em vigor desde 1º de abril de 2022 e, no art. 22, prevê que o descumprimento sujeita o infrator às sanções previstas no inciso X do art. 230 do Código de Trânsito Brasileiro.

Esse valor é o limite para circular, não a meta de gestão. Frotas costumam definir uma margem operacional acima do mínimo legal, com orientação técnica e compatível com a política de reforma, para que o pneu chegue ao recape com a carcaça em condição — mas essa margem é decisão da empresa e não substitui o cumprimento da norma. Para comparar o sulco medido com o desgaste esperado, veja a tabela de profundidade de sulco.

4 – Tomar as medidas apropriadas

Quando notar problemas ou situações incomuns, o gestor precisa agir rápido. Felizmente, com todos os dados disponíveis, seu trabalho pode ser totalmente focado em buscar as informações necessárias e entender qual a solução mais adequada em cada momento.

Seja incluir uma nova atividade na rotina ou aumentar a frequência de inspeção dos pneus, são decisões que devem ser revistas regularmente.

Registre também o que foi decidido e por quê. Quando a mesma situação voltar a aparecer — e ela costuma voltar —, a frota consulta a decisão anterior em vez de recomeçar a discussão do zero.

5 – Manter as demais áreas da gestão de frotas em pleno funcionamento

Todas as áreas da frota estão conectadas. Se os pneus estão danificados, os veículos também sofrem danos e o contrário também acontece: se o veículo está com problemas, prejudica os pneus.

Dessa forma, é preciso que todas as áreas de gestão estejam funcionando da melhor maneira possível, desde a gestão de veículos, motoristas e até abastecimento, fornecendo a melhor performance das operações de transporte.

Um exemplo torna a conexão concreta: pressão fora da faixa aparece como consumo de combustível maior, desgaste irregular no pneu e esforço extra na suspensão. É o mesmo desvio se manifestando em três áreas diferentes, e só o cruzamento dos registros mostra a causa comum.

Principais erros na manutenção de pneus

  1. Não fazer a manutenção: o principal erro é não realizar qualquer tipo de manutenção. Sem inspeção registrada, a frota costuma descobrir o problema quando o pneu já está perdido.
  2. Economizar na compra: comprar o pneu mais barato sem saber qual é o melhor modelo para a sua frota, é um erro. Você precisa acompanhar os dados para saber qual marca e modelo possui o melhor CPK — o custo por quilômetro rodado — na sua aplicação e, aí sim, fazer a aquisição de peças novas.
  3. Esperar o pneu ficar careca para fazer uma troca: se o pneu ficou careca, as chances de ter danos na carcaça são maiores, o que pode impossibilitar a recapagem dos pneus e impedir a reutilização deles por mais tempo. Além disso, como visto acima, o art. 4º da Resolução CONTRAN nº 913/2022 proíbe a circulação quando o desgaste da banda de rodagem atingiu os indicadores ou a profundidade remanescente é inferior a 1,6 mm.
  4. Riscar “sulcos” no pneu: depois que o pneu ficar careca, fazer a marcação dos sulcos à mão, riscando a borracha é uma prática extremamente errada. Prejudica a borracha, o pneu e pode causar danos no veículo por rodar com um pneu inadequado.
  5. Não fazer o rodízio de pneus: o rodízio é uma prática que ajuda a manter o desgaste dos pneus regular e equilibrado em todos os pneus do veículo. Deixar de fazê-lo pode gerar desgastes mais acentuados nos pneus dianteiros, já que costumam sustentar o peso do motor do veículo. Ao remanejar, respeite o § 2º do art. 4º da mesma resolução: quando no mesmo eixo e simetricamente montados, os pneus devem ser de idêntica construção, mesmo tamanho, mesma carga e serem montados em aros de dimensões iguais, permitindo-se a assimetria quando originada pela troca de uma roda de reserva, nos casos de emergência.
  6. Não descobrir a calibragem ideal: a calibragem mantém um desgaste regular por toda a superfície da banda de rodagem e é o que faz o veículo rodar de maneira equilibrada, se não souber a calibragem ideal, pode estar prejudicando o desempenho da sua frota. A referência é a especificação técnica para a medida, a carga e a aplicação: no caso dos pneus extralargos, por exemplo, o art. 21 da mesma resolução atribui ao fabricante do veículo especificar no manual do proprietário as pressões recomendadas e as capacidades de carga.
  7. Não calibrar o estepe: o estepe deve ser mantido nas condições adequadas para ser utilizado caso algum imprevisto ocorra na estrada. Para as categorias M1 e N1 — que a própria resolução define como o veículo de passageiros com até oito assentos além do motorista e o veículo de carga com massa de até 3,5 t —, o art. 10, dentro do capítulo que trata do conjunto roda e pneu sobressalente de uso temporário, exige que a estrutura do pneu do conjunto roda/pneu sobressalente garanta o seu emprego enquanto a profundidade dos sulcos que compõe a banda de rodagem for maior que 1,6 mm.
  8. Usar “macarrão” no pneu furado: essa é uma peça usada para cobrir um buraco no pneu quando ele fura, pode ser usado em casos emergenciais, para chegar até um ponto onde o pneu será trocado, mas não deve ser mantido como um recurso para fazer o pneu rodar durante mais tempo. Depois da emergência, o pneu precisa passar por avaliação técnica antes de voltar à operação.

Para cuidar bem dos pneus da sua frota, você precisa evitar esses erros e realizar os cuidados adequados de gestão e manutenção de pneus. Dentre eles, o controle dos dados da inspeção de pneus.

Isso, você pode fazer através de uma planilha de controle de pneus, desenvolvida para esse propósito. Faça o download gratuito deste material aqui.

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