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Gestão de pneus

Renovação de pneus de caminhão: vale a pena reformar?

Luiz Felipe Luiz Felipe 7 min de leitura
Renovação de pneus de caminhão: vale a pena reformar?

A reforma de pneus de caminhão é uma alternativa para prolongar o uso da carcaça, reduzir desperdício e controlar melhor o custo por quilômetro da frota. Quando o pneu está apto para o serviço, ele passa por um processo técnico de reaproveitamento e volta a rodar com nova borracha, sem que a empresa precise comprar uma peça nova imediatamente.

Sabemos que o custo de pneus para veículos pesados pesa no orçamento. Ainda se soma o desgaste gerado por estradas em más condições, chuva, sol, subidas, descidas e a diversidade de terrenos em diferentes regiões brasileiras, fatores que aumentam o gasto da operação ao longo do tempo.

Por isso, dirigir pelas rodovias do nosso país é uma tarefa árdua e exige cuidados, principalmente quando falamos de pneus. Afinal, pneus desgastados aumentam o risco de acidentes, deixam o veículo desestabilizado e prejudicam a frenagem, além de comprometerem a previsibilidade dos custos.

É preciso identificar a hora certa de retirar os pneus do veículo e o que fazer com eles. Você deve ter muitas dúvidas sobre a reforma de pneus de caminhão da sua frota, né?

Reunimos algumas das principais e respondemos para você:

1. Quais os métodos para a reforma de pneus de caminhão?

Existem três técnicas para realizar uma reforma no pneu: recapado, recauchutado e remodelado. Pela definição do Inmetro, pneu reformado é o pneu usado que passou por recapagem, recauchutagem ou remoldagem para reutilização da carcaça. A melhor técnica para cada veículo deve ser decidida de acordo com o estado do pneu.

Pneu recapado

Nessa técnica, apenas a borracha da banda de rodagem que tem contato com o solo é substituída. E existem duas formas de ser feito: à quente e à frio.

No recape à quente, utiliza-se camelback, um tipo de banda de rodagem que se incorpora ao pneu em um processo de vulcanização de até 150 °C.

Já no recape à frio, a temperatura máxima é de 115 °C e a banda de rodagem é pré-moldada, ou seja, vem pronta para ser aplicada na carcaça do pneu.

A recapagem de pneus é a forma mais comum de prolongar o uso dos pneus e traz melhores resultados para a frota no longo prazo, economicamente falando. Como a quantidade de recapagens influencia diretamente o CPK, o procedimento precisa ser planejado junto com a compra, os consertos e os demais serviços feitos no pneu.

Pneu recauchutado

Aqui é feita a substituição da borracha da banda de rodagem com camelback, e os ombros da carcaça também são cobertos. Na definição do Inmetro, a recauchutagem substitui a banda de rodagem e os ombros do pneu.

Depois, o pneu é levado a molde aquecido a uma temperatura de 150 °C, onde terá seu desenho formado, ficando pronto para uso.

Esse processo de reforma de pneus de caminhão é utilizado para pneus que sofreram algum tipo de desgaste irregular nos ombros — uma necessidade de troca de borracha que a recapagem não consegue suprir.

Pneu remodelado

Ao remodelar um pneu, toda a parte externa dele será revestida com uma nova camada de borracha. O Inmetro descreve a remoldagem como a substituição da banda de rodagem, dos ombros e de toda a superfície dos flancos.

Costuma ser o processo de reforma de pneus de caminhão menos utilizado, pois envolve a substituição de toda banda de rodagem e flancos. Essa técnica também é realizada através de um processo de “remold” (remodelagem) quente, até 150 °C.

Um lembrete:

Quanto antes você levar o pneu para avaliação de reforma, maiores são as chances de dar tudo certo e não precisar comprar um novo. Fique atento aos sulcos do pneu, à pressão, ao alinhamento, ao rodízio e a danos aparentes; esses pontos fazem parte da manutenção contínua e ajudam a identificar desgaste irregular antes que a carcaça seja comprometida.

2. Quando utilizar cada tipo de reforma?

Para determinar o tipo de reforma ideal para o seu caso, é indispensável passar por uma análise técnica. Inclusive, para esse tipo de estudo, o gestor de pneus e o analista de frota devem trabalhar em conjunto para verificar os dados sobre pneus da frota e tomar como base de suas decisões.

Adiantamos ser importante que o nível de fadiga e extensão de quantidade de avarias seja baixo. Os talões, flancos, ombros e pacotes de cintas precisam estar bem preservados. Também vale conferir se o fornecedor do serviço atende às regras aplicáveis: a reforma de pneus tem requisitos obrigatórios, passa por avaliação da conformidade e os fornecedores do serviço no Brasil devem ser registrados no Inmetro.

3. Qual reforma de pneus de caminhão vale mais a pena?

Como adiantado acima, o processo de recapagem de pneus costuma ser o tipo de reforma mais vantajoso quando o desgaste está concentrado na banda de rodagem e a carcaça permanece em boas condições.

Isso acontece porque ele substitui a banda de rodagem através de um procedimento detalhado e permite reutilizar a carcaça. O pneu fica apto a voltar para a operação quando a avaliação técnica e o serviço de reforma são bem executados.

Outra vantagem é que são mantidas todas as informações originais do fabricante, enquanto o pneu reformado deve trazer a identificação do processo de reforma e a marcação correspondente exigida na regulamentação.

Porém, não é raro vermos acontecer a recusa de recape, quando o pneu ultrapassa um limite de desgaste, prejudicando a carcaça, e não pode mais receber uma nova banda de rodagem.

4. Quanto custa recapar um pneu de caminhão?

O custo de reformar um pneu de caminhão varia conforme o estado da carcaça, o tipo de reforma, a medida do pneu, a região, o reformador escolhido e os reparos necessários antes da aplicação da nova borracha. Por isso, a comparação mais segura não é olhar apenas o preço do serviço isolado, mas calcular o impacto no custo por quilômetro.

Na prática, o CPK considera o valor de compra do pneu somado a consertos e serviços de recapagem. Como a quantidade de recapagens influencia diretamente esse indicador, acompanhar cada pneu ajuda a entender se a reforma está realmente entregando economia e bom resultado para a frota.

5. Quantas vezes o pneu pode ser reformado?

Com uma carcaça em bom estado, um pneu de veículos pesados pode receber mais de uma reforma, mas existe um limite para o número de recapagens que ele suporta com segurança. Vale lembrar que estar atento à profundidade do sulco ajuda a aumentar a chance de recapagem, pois preserva a base do pneu.

A legislação de trânsito considera irregular o pneu cuja profundidade remanescente da banda de rodagem seja inferior a 1,6 mm. A constatação dessa profundidade pode ser feita visualmente por indicadores de desgaste, que são saliências no fundo das cavidades da banda de rodagem. Para a gestão da frota, o ideal é não esperar o limite legal chegar: quanto antes o pneu for avaliado, maior a chance de preservar a carcaça.

6. Quanto tempo dura um pneu recapado de caminhão?

A duração de um pneu recapado depende da qualidade da carcaça, do tipo de operação, do estado das rodovias, da carga transportada, da calibragem, do alinhamento, do rodízio e da inspeção de danos. Em boas condições, a reforma pode devolver o pneu ao ciclo de uso da frota com desempenho compatível com a operação planejada.

O rendimento de um pneu considera muitas variantes, como o estado das rodovias, os cuidados com a manutenção e o tipo de carga que transporta. Por esse motivo, é importante possuir uma gestão de pneus na frota.

Com esse tipo de controle, fica muito mais fácil coletar dados, armazenar informações e realizar manutenções de rotina que vão ajudar na economia e segurança da sua empresa. Pressão incorreta, por exemplo, causa desgaste desigual, reduz a vida útil do pneu e aumenta o CPK; por isso, pressão, profundidade, rodízio e alinhamento devem estar no radar da manutenção.

7. Como saber a hora de encaminhar um pneu para reforma?

A única maneira de ter essa resposta é acompanhando o desempenho dos pneus da sua frota. 

Você precisa saber, sem falta, a profundidade dos sulcos ao longo do tempo e a visualização de controle de pressão dos pneus. São dois dos principais indicativos de que o pneu pode estar sofrendo desgastes irregulares, junto com cortes, bolhas, danos aparentes, desalinhamento e outras condições que exigem avaliação profissional.

Seja por anotações, planilhas ou sistemas tecnológicos, você precisa ter algum controle sobre esses ativos da sua operação para conseguir gerar a tão desejada redução de custos. Monitorar a profundidade ajuda a determinar o momento certo para recapagem ou substituição, e qualquer condição preocupante identificada na inspeção deve ser encaminhada a um profissional de pneus.

Para isso, realize o download gratuito da planilha de controle de pneus que preparamos e faça um gerenciamento mais preciso e seguro da sua frota.

Perguntas frequentes

Quanto custa reformar um pneu de caminhão?

O valor varia conforme estado da carcaça, tipo de reforma, medida do pneu, região, reformador e reparos necessários. Em vez de avaliar só o preço do serviço, compare o efeito no CPK: valor de compra, consertos, serviços de recapagem e quilometragem entregue pelo pneu.

Qual a diferença entre pneu recapado, recauchutado e remodelado?

No recapado, substitui-se a banda de rodagem. No recauchutado, a troca inclui a banda de rodagem e os ombros. No remoldado, a substituição alcança banda, ombros e toda a superfície dos flancos. A escolha depende da condição da carcaça e da análise técnica do reformador.

Quantas vezes o mesmo pneu pode ser recapado?

Depende da carcaça e do histórico de uso. Há um limite para o número de recapagens que um pneu suporta com segurança, e monitorar a profundidade dos sulcos ajuda a decidir entre recapagem e substituição antes que a carcaça seja comprometida.

Um pneu recapado dura menos que um novo?

Não necessariamente. A duração depende da carcaça, da qualidade da reforma, do tipo de rota, da carga, da calibragem, do alinhamento, do rodízio e das inspeções de danos. Pressão incorreta e desgaste desigual reduzem a vida útil e aumentam o CPK.

Como saber que chegou a hora de mandar o pneu para reforma?

Acompanhe profundidade dos sulcos, pressão, desgaste irregular e danos aparentes. A profundidade mínima legal da banda de rodagem é 1,6 mm, mas esperar o limite pode comprometer a carcaça; qualquer condição preocupante deve ser avaliada por um profissional de pneus.

Quando a recapagem não é a melhor opção?

Quando o desgaste ou o dano não é atendido pela troca da banda de rodagem. Desgaste nos ombros pode exigir recauchutagem, e danos em flancos, talões, cintas ou carcaça podem inviabilizar a reforma. A definição depende de análise técnica e do atendimento às regras aplicáveis.

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